sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Divagações - Por que amamos o passado?


Caríssimos, quase dois meses depois, volto a publicar algo que vale à pena. Estou com problemas pessoais, dinheirais e doençais, motivo pelo qual tive, e ainda tenho, dificuldades em honrar com meus compromissos internauticos, neste e nos outros blogs. Tem blog de amigos, que não vejo há mais de um ano, e não encontro mais o link... Nem lembro mais os nomes... Vergonha...

Bem, para não ser perda total, vou contar alguns motivos pelos quais as pessoas tanto se encantam pelo passado. Não existe um motivo único e padrão, da mesma forma como duas pessoas que pleiteiem o mesmíssimo fim, não o fazem pelo mesmíssimo motivo, e por isso podem se desentender, quando finalmente o alcançam. O mais divulgado é, claro, a douração da pílula, que faz as pessoas acreditarem que tudo era melhor, que o mundo era perfeito, que tudo estava no seu devido lugar, que no Egito tínhamos pão em abundância e nos sentávamos à mesa, com panelas cheias de carne, mas você, Moisés, nos trouxe para morrermos de fome e sede neste deserto!


Infelizmente não é verdade, é só insegurança, na maioria absoluta dos casos, seja lá qual for o motivo da dita cuja; isto aqui não é um blog de psicoterapia, então vamos adiante. Se o passado tivesse sido tão próximo da perfeição, ainda estaríamos nele. Não parados no tempo, é claro, mas quase tudo de então ainda vigoraria, pois estariam todos satisfeitos. Mas a maioria das cousas, até a eclosão da cultura retrô-vintage, caiu no esquecimento por décadas, a ponto de um Landau já ter sido trocado por geladeira usada... Hoje um em perfeito estado, não sai por menos de setenta mil reais nem com a bênção papal. O problema vem, quando o apêgo se torna tão tenaz, que as pessoas se recusam a ver o que estava errado, o que melhorou e o que pode ser encaixado de bom, daquelas épocas, assim passando a atacar tudo o que se faz de novo, e culpando o novo por tudo o que há de ruim, mesmo por problemas milenares, que acabam se esquecendo que são pre existentes. Quase sempre, culpando as roupas femininas por todas as mazelas da humanidade... Só Freud mesmo!


Nos casos mais amenos, muitas pessoas se apegam à memória de infância, quando geralmente não se tem preocupação nenhuma, quando tudo está de bom tamanho, quando qualquer cousa serve para distrair e divertir, quando uma fruta ou um saquinho de balas é uma bela recompensa por um bom comportamento. Os pais tomando a frente, o dia mais curto e confortável, já que criança dorme mais mesmo, os productos para o público infantil naturalmente mais coloridos e simpáticos, et cétera. Uma cantora passa, então, a ser referência de talento e qualidade musical, mesmo que tenha sido apenas mediana, em sua época. Vamos ser francos, com os adultos cuidando de toda a parte chata e perigosa da vida, para a maioria era mesmo um paraíso. Aqui, também se corre o risco de tornar algo bom, altamente venenoso, com iminente intoxicação cronológica, cujos efeitos colateriais variam de indivíduo para indivíduo. Não tenho saudades da minha infância, então não é o meu caso.


Há o caso mais comum, de gente que simplesmente vê muito mais graça nas cousas de determinada época, do que nas das recentes. Até gostam de Artic Monkeys, mas dançam mesmo é ao som de The Zombies. Gostam de ver que o carro tem ABS, air bag, ARS, trio eléctrico, tela touch screen, mas não negam as qualidades e morrem de amores pelo Landau. É o caso da maioria dos antigomobilistas, das turmas que aderem à moda vintage, que reaqueceram o mercado das pin-ups clássicas e suas releituras, tiraram do esquecimento alguns intérpretes d'outrora, e pessoas que simplesmente se encontram no estilo vintage. Em parte, é o meu caso.

Há também o caso de pessoas que simplesmente acham legal. Olham aquelas roupas anos cinqüenta ou sessenta, vêem cartazes de época e gostam, mas não para incorporar à vida cotidiana, embora acabem se pegando com arranjos e adaptações retrô, sem querer, mas também sem neuras. Quando se dão conta, há um aparelho de som imitando madeira na cômoda, ou um vestidinho minimalista com lenço para cabelos na mesma cor. Em parte, também é o meu caso, mas eu já faço isso conscientemente.

Há ainda aqueles que, quase sempre inconscientemente, vêem no estudo de documentos, de vídeos, propagandas, filmes, músicas, enfim, aqueles que vêem no conhecimento pleno das décadas passadas, um modo de terem vivido lá e, de certa forma, estarem vivos desde então. É uma forma virtual de prolongar a vida, já que a sobrevida não pode ser esticada para trás, e muitas vezes nem para frente. Uma pessoa com razoável conhecimento do cotidiano do século XX, desde a bélle époque, pode se sentir centenário em um corpo de quarenta anos, por exemplo. Ver um vídeo de boa qualidade, ainda mais se for em cores, e há muitos dispóníveis pela internet, te dá a nítida impresão de que tudo aquilo aconteceu ontem, ou mesmo hoje cedo. Dá até para estranhar, quando se estica o pescoço para fora da janela, e se vê aquele desefile de carrinhos iquaizinhos e quase nas mesmas cores. Well, se eu já era adulto em 1947, então já estou beirando os cem anos de idade, se já não ultrapassei.

Por isso mesmo, sempre aconselho aos que me questionam, a não se aterem à sua época preferida, sempre recuar uns anos mais e ver no que deu tudo aquilo, de então até hoje. Esta atitude, dá um realismo maior na ilusão de se estar vivo há mais tempo, e ainda alimenta o senso crítico com o desenrolar da história. Um cidadão da época, não sabia de tudo o que acontecia, se muito, estava bem informado com noticiários e informações orais, então é totalmente desnecessário tornar-se um PhD na São Paulo dos anos quarenta, por exemplo. É desejável, mas acessório. Só jamais se atenha a meia dúzia de fontes, especialmente se forem de autores com a mesma linha de pensamento. Eu sei pouco, mas também tenho essa impressão de longevidade retroativa, então também é em parte o meu caso.


O único ponto pacífico, é que quem realmente tem o gene vintage incorporado aos seus cromossomos, não se importa com o estilo do outro... ou com a falta de estilo do outro. Quem é, o é porque se encontrou naquele cenário vivo d'outrora. Gente que freqüenta feiras vintage, não reclama tanto das roupas folgadonas dos rappers, pois se encontrou e não precisa que o outro vá aderir ao seu jeito de viver. É o caso dos steanpunks, que têm tudo para serem filhinhos mimados de classe média alta e alta, quebrando boates e espancando mendigos, mas têm presenteado o mundo com releituras e adaptações absolutamente belíssimas, como os computadores à bélle époque, quase sempre emoldurados com latão muito bem polido. São uma cultura quase silente, mas que tem crescido e gerado bons negócios, além de se consolidar com certa maturidade.

Deixo, para terminar o conselho dos sábio da antiguidade: Amar não é exigir reciprocidade, isso é cobrança por uma transação de troca. Amar é, na acepção da palavra, se doar. Quem ama, liberta. Deixe o passado livre, não tente obrigá-lo a voltar aos dias correntes, liberte-o e ele lhe será um amigo fiel.





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domingo, 14 de outubro de 2012

Os papéis de parede

Fonte da imagem: http://picsdecor.com/

Hoje são sinônimos de adorno para monitores, mas o papel de parede residencial ainda vive, ao contrário do que muitos pensam, como a caneta-tinteiro e o relógio à corda. Tiveram seu maior impulso na idade moderna, especialmente França e Inglaterra.

Por que lá? No caso dos franceses, eles são muito afeitos ao refinamento, ainda hoje, mesmo quando são grossos com alguém. O papel de parede é uma forma relativamente rápida e barata de diferenciar ambientes, permitindo uma delicadeza que seria frágil e cara demais se fossem comprar objectos afins, dando a cada um a identidade que melhor lhe couber, e se adaptar à gente da casa, com cores e estampas diferenciadas.

No caso dos ingleses, a fleuma tipica e vigorosa como nunca, até hoje, ainda mantém vivo o gosto pelas boas tradições e pela identidade familiar, uma conseqüência de ser um dos países com maior identidade nobiliárquica do mundo. Como as casinhas inglesas têm uma identidade nacional forte, eles capricham na diferenciação do interior. Até a segunda guerra, predominavam as cores vibrantes, mas em tons sóbrios e com desenhos clássicos.

Mas foram, claro, sempre eles, os americanos que deram ao papel de parede a dimensão que ele ganhou, e mantém nos dias vigentes. Os filmes clássicos deram ao restante do mundo, em especial ao terceiro mundo, de d'outra forma jamais conheceria o producto, o conhecimento de um revestimento interno prático, fácil de manter e fácil de trocar. Se há uma conseqüência positiva na histeria consumista dos anos cinqüenta, foi o aprimoramento das técnicas e dos materiais.

Fonte da imagem: http://hitez.com/

No começo era só limpar a parede,  passar cola e ter todo o cuidado para que as lâminas ficassem devidamente alinhadas. Algumas horas de espera, para a cola secar, e já se poderia encostar sem medo. Os desenhos animados exageravam, mas realmente era comum o aplicador leigo se atrapalhar todo e ser empapelado, em vez de empapelar a parede. Se existisse youtube na época, vocês veriam hoje uma série se vídeo-cassetadas de papéis que se voltaram contra seu aplicador. Gente empapelada na parede já é soltar muito a imaginação, mas não é impossível.

As desvantagens de resistência em relação às melhores tintas, eram muito diluídas pelo baixo custo de aquisição e instalação, por o papel não começar a descascar por causa de arranhões, e pelo facto de as artes das crianças serem tão danosas para um quanto para a outra. Acabava saindo mais cômodo e barato substituir uma lâmina de papel, do que contractar um pintor profissional e isolar o cômodo até tudo secar. Quase sempre, um aplicador profissional empapela um cômodo grande em um dia, sem estragar ou sujar absolutamente nada. Às vezes acontece de o comprador mesmo conseguir fazer o serviço.

O papel de parede permite mudar a decoração do ambiente, conforme o tempo passa e as crianças vão crescendo, o que até aumenta o interesse da prole pela casa e pela família, já que, afinal de contas, as cousas não ficam iguais ao que sempre foram. Crianças, como os gatos, precisam ter sua curiosidade atiçada, sempre.

As desvantagens são as velhas conhecidas dos papéis. maior sensibilidade à umidade, aos fungos, e ao fogo. Havendo ainda o risco de aquele padrão lindo, comprado após uma luta naquela liquidação, sair de linha a qualquer momento. O risco é tão maior quanto mais diferente for a padronagem. Mas um papel de parede bem escolhido, sem ir directo para a armadilha do mais barato, sempre deu ao ambiente um ar mais sofisticado, tornando até a permanência familiar na casa, mais agradável. Com decorações diferentes, a casa acabava parecendo ser maior do que realmente era.

Fonte da imagem: http://www.sanderson-uk.com/default.aspx

Vocês podem imaginar que não é com papel de embrulhar pão que fazem o artigo. Assim como aço, vidro e plásticos, há milhares de receitas para o papel, algumas delas são bem resistentes a manchas, productos de limpeza, temperos e urina de crianças e animais. São as receitas adequadas ao papel de parede.

Até meados dos anos cinqüenta, predominavam as estampas florais e listras verticais, para fazerem as casas parecerem maiores e mais amplas, além de dar a impressão de ser um lugar tranqüilo para se refugiar do mundo. Depois vieram os padrões geométricos dos anos sessenta, que foram nutridos pela corrida espacial. Todo mundo queria morar no futuro, de preferência com os baixos custos de uma aparência moderna, às custas de empapelar paredes. Nos anos setenta, a psicodelia ainda tinha força de sobra e ajudou a vender motivos fractais, além de padrões imitando azulejos estilizados, que acabaram migrando para sofás e roupas de cama.

Houve, e voltou recentemente com photographias, linhas de texturas que decoravam portas de garagens, dando ao cidadão médio a impressão de estar ascendendo, o que ele tanto desejava. Afinal, entrar com um Fairline 500 em uma garagem personalizada, com a porta dando a impressão de que se abria o portão de uma mansão, fazia a labuta valer à pena. É uma ilusão? Sim, é uma ilusão. Mas ninguém deixa de tomar analgésicos por saber que as causas da dor permanecem lá.



Nos anos setenta e oitenta, em Goiás pelo menos, tornou-se moda usar rolinhos de pintura com desenhos de borracha, como se fossem carimbos rolantes, para imitar o papel de parede. Motivo? No Brasil, como com quase tudo, as cousas demoram demais a baratear, e a falta de informação da população é tão aguda quanto crônica. Muita gente fica espantada em saber que papéis de parede ainda são feitos e vendem bem!

Hoje em dia eles se tornaram tão resistentes a quase tudo, sendo alguns feitos de PVC, que não propaga chama, que podem facilmente decorar também o exterior. Claro que a durabilidade cai e os cuidados são redobrados, mas é algo que exigiria um trabalho artístico caríssimo e muito demorado, se fosse pintar a parede com o que o papel permite. Com a tecnologia da plotagem já tão disseminada, fica muito fácil criar a própria padronagem e mandar imprimir, guardando o original em um pendrive.

Uma derivação é o papel photográphico que, como diz o nome, coloca imagens em vez de padrões, na parede. É uma faca de dois gumes mais afiada do que o tradicional, pois leva ao pé da letra o gosto estético do comprador, que sabemos que muda muito com os anos. É diferente de uma padronagem, que pode refletir um gosto sazonal, mas ainda assim agradar pelo resto da vida. Imaginem uma adolescente colocar a imagem daquele grupinho mercadológico na parede, e olhar de novo cinco anos depois.

Fonte da imagem: http://www.wallpaper.com/

A conservação, ontem e hoje, não muda muito. Limpar com pano úmido e sabão neutro, não usar productos específicos de limpeza, muito menos com alvejantes. Encerar com cera incolor, ajuda, mas geralmente é um cuidado suplementar. Ainda há os não laváveis, muito baratos, que eu só recomendo para decorar estandes de uma feira, por exemplo, onde a durabilidade não é quesito fundamental.

Aos que se interessaram, mas não sabem onde raios arranjar um papel de parede, já que nenhum amigo tem em casa, deixo alguns links mais relevantes. Quase tudo com alta qualidade é importado, em parte por causa da demanda ainda baixa. E deixo o link do blog Favorite Thinks aqui.

Nacionais:
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ambientes integrados, uma tendência que voltou


Ambientes amplos e conjugados. A idéia era muito boa, se valer dos avanços tecnológicos e das casas cada vez mais bem equipadas, para que a família pudesse se dedicar a si mesma. Como sabemos, infelizmente não vingou por muitos anos, como se esperava, mas a necessidade de praticidade tratou de devolver a cabeça ao pescoço. Os anos cinqüenta começavam a realizar um sonho arquitetônico interrompido pela guerra.

Novos materiais, a proliferação da madeira laminada com cores, texturas e acabamentos diversos, plásticos realmente resistentes e práticos, desenhos leves e "espaciais" como o pé-palito, enfim, as novidades eram como entorpecentes para os arquitetos como hoje o são para os designers de interiores. A ousadia maior era adequar a casa ao terreno, não só o contrário, barateando e dando mais segurança à construção, uma vez que se mexia menos na estrutura do solo.


Os arquitetos dos anos quarenta ao sessenta, percebendo a sede de espaço e liberdade da classe média crescente, inclusive no Brasil, começou a rever a tendência metropolitana dos apartamentos minúsculos (coitados, nem imaginavam o acinte que se tornariam a partir dos anos oitenta) dos centros, próprios para solteiros, começaram a imaginar e desenhar casas com poucos ambientes, mas sempre amplos e cercados pela natureza, como se começou a pensar depois da grande depressão, mas sem técnicas e materiais então disponíveis.

Os carros, cada vez mais velozes, serviços de transporte público, lá fora, eficientes e vias expressas, também lá fora, próprias para deslocamentos rápidos em longas distâncias, alimentaram o êxodo para os subúrbios, onde antes estavam fazendas falidas e chácaras. Janelas amplas de vidro temperado permitiam ventilação perfeita no verão, e isolamento total no rigoroso inverno setentrional. Começava-se a perceber a importância de integração homem-natureza, sem a neurose que temos hoje. Uma idéia colateral era transformar o cidadão comum em um defensor do lugar onde vivia, no caso, a mata nos arredores do bairro.

 Claro que então já não se imaginavam famílias gigantescas, capazes de fundar uma aldeia, mas ter dois ou três filhos ainda era o sonho da maioria dos casais. Três ou quatro quartos de tamanho suficiente para cada um, deixando o restante do espaço da casa para a convivência, com poucas paredes, ou até mesmo meias-paredes separando os ambientes, não raro com acabamentos diferenciados entre si. Hoje já é possível que as paredes sejam móveis, recolhíveis e até desapareçam por completo. A garagem, por exemplo, era pensada para que esposa e marido tivessem cada um seu próprio carro, até por questão de necessidade. Além de (como ainda hoje) ser quem mais cuida da prole, a esposa começava a trabalhar fora e ganhar quase tanto, às vezes mais do que o marido, quando os moleques já podiam se cuidar sozinhos, é claro. Geralmente ele ficava com o sedan e ela com a wagon, útil quando seu trabalho era de vendedora de porta-em-porta.

O resultado era uma casa de tamanho médio, com conforto e facilidade de circulação de uma casa grande. As grandes, nestes moldes, pouco deviam às mansões. Outra vantagem inegável é a facilidade para manter e limpar os ambientes. Como vocês sabem, lá fora uma empregada não é para classe média, elas ganham relativamente bem, então toca à família cuidar de sua casa. Classe média de nariz empinado, leitori, é exclusividade de países subdesenvolvidos com fracas aspirações ao desenvolvimento, como o nosso. Com aspiradores de pó, enceradeiras, ceras sintéticas e tudo mais, o serviço ficou mais simples e desencorajava menos as crianças. Estão pensando o quê? Eu conheci e usei aqueles esfregões de ferro fundido, se machucar ou danificar os móveis era um risco real e iminente, a questão não era "se", mas "quando" o acidente aconteceria.

O que dá para se fazer hoje? Bem, nosso país está começando a descobrir que arquitetos, decoradores e engenheiros não podem ser substituídos pelo pedreiro. Os quatro têm suas devidas funções, com a diferença que o engenheiro entrega o que o cliente compra, não o que ele quer que o cliente compre. Até para poupar material de construção, consulte antes um arquiteto, para evitar que sua casa receba incidência solar durante o dia inteiro... como onde eu moro... por enquanto. Ele lê, estuda, se actualiza, ou fica fora do mercado, então tem na ponta da língua as novidades e técnicas mais recentes e aperfeiçoadas. Se disseres que queres um ambiente integrado dentro e fora da casa, ele vai quase ter um orgasmo.


Dificilmente dará para ter um heliporto, como muito se imaginava para o século corrente, até porque helicópteros ainda são muito caros e poucos sabem pilotar o monstrengo. Em todo caso, se estiveres disposto a arcar com custos e burocracia, uma lage reforçada, com possibilidade de se tornar um ambiente superior para eventos e festas, pode ser inclusa no projecto. O melhor, na fase do projecto, de haver poucas paredes, é a liberdade criativa, que permite deixar a casa do jeito que o cliente deseja, por mais tradicional que seja o estilo. Sim, a verba disponibilizada ditará o resultado final, mas sob a batuta de alguém que enxerga a vida da família no bairro, e não somente os tijolos do alicerce, teu suado dinheirinho renderá e durará bem mais.

Hoje temos a vantagem da existência de materiais com que os arquitetos da época sonhavam, para poderem construir vãos gigantescos e sacadas enormes, sem o risco de desabamento. É possível conjugar concreto, metais, vidros e plásticos sem medo de a dilatação térmica transformar o sonho da casa arrojada em um pesadelo de infiltrações. Podemos voltar a ousar, ainda que sem abrir mão de um estilo enxamel.




Um fórum de arquitetura da época, clicar aqui.
Googie Architeture Online, com um belo acervo, clicar aqui.

sábado, 18 de agosto de 2012

O vintage de Curitiba para o mundo

Fonte da imagem: http://cartunistasolda.com.br/
Paraná é o maior celeiro vintage do Brasil, especialmente Curitiba. Podem dizer que seus cidadãos são metidos a besta, que pensam que estão em Londres, que são mal educados, mas a cidade tem qualidades e elas merecem ser destacadas. A que nos interessa aqui e agora, é a força da comunidade retrô e vintage curitibana.

Não basta fazer parecido, o curitibano vintage gosta de fazer bem feito, e faz. Existe um festival anual chamado Viva Las Vegas, que se dará de 28 a 31 Março de 2013. O mote do dito cujo é a cultura vintage e retrô, incluindo a música. Alguns meses antes do festival seguinte, eles convidam as melhores bandas do gênero do mundo, para participarem do festival. Como todo americano, se intitulam o maior festival de rock dos anos cinqüenta do mundo, o que deve ser verdade. As regras são simples e rígidas, para evitar alguém alegar que não entendeu, bem como para manter o nível e a organização do festival, afinal as pessoas vão lá para fugir dos problemas, não para conseguir mais, não do tipo que não dá retorno.

Serão quatro dias de moda, música, memorabilia, antigomobilismo, apresentações burlescas, pin-ups e tudo mais. Só o melhor em dezenas de eventos paralelos que, francamente, fazem ser parcos esses quatro míseros dias em Las Vegas. Serão cerca de sessenta músicos/bandas vintage na próxima edição, sendo cerca de uma dezena de outros países. O vintage fashion show, por exemplo, que contará com profissionais gabaritados, que vivem do que vão mostrar e moram em um país que recebe tudo o que há de melhor no mundo, além de um arquivo nacional capaz de transformar o costureiro mais incompetente em um bom copiador de moda retrô. Em suma, os anos quarenta e cinqüenta estarão vivos, com o que tinham de melhor, nesse belo evento... Sem as discriminações estúpidas da época, só o que havia de bom mesmo. A única crítica é mesmo o tempo, quatro dias não dão para quem quer conhecer tudo o que um festival de tamanho porte e sortimento oferece, porque tudo em Las Vegas é grandioso e sortido, inclusive as lições de sucesso que cairiam certinho no sertão do nosso nordeste. Acredito que uma semana e meia estaria de bom tamanho.

Negócios, claro que sim, o que seria de um evento tipicamente americano sem bons negócios? A própria lojinha do website do Viva Las Vegas (aqui) é bem sortida e tem preços para todo mundo poder comprar, a partir de um dólar. Cedês, devedês e elepês vão de dez a vinte dólares; um pouco caro para os padrões deles, mas trata-se de souvenires, mais do que de simples arquivos de mídia. Também há muita gente, física e jurídica, inscrita para incrementar seu ganha-pão. As regras são igualmente simples e directas, para não deixar sombra de dúvidas.

E o que encontramos na lista de convidados, quando clicamos no link "bands"? Encontramos uma lista de bandas convidadas, onde figura a paranaense Annie & The Malagueta Boys. É um grupo de rock'n roll vintage formado em 14 de Dezembro de 2009 por cinco jovens impetuosos e bem humorados... Sim, em Curitiba. A bela, a glamourosa, a feminina, a sedução e doçura em forma de cantora Annie, e os quatro marmanjos serelepes a saber: Rick Pacheco na guitarra, Victor Rodder no sax, Jonny Thirty no baixo acústico e Wolfman Jeffo na bateria. São amigos, o grupo começou a se formar de maneira tão espontânea quanto um parto. Diz a lenda que Tudo começou quando Victor visitou o Jalapão, caiu na conversa de um pajé e levou um colar de pimenta consigo, para Curitiba. O pajé teria lhe dito que a música era a sua missão, que deveria cumprí-la e arranjar uma beldade ruiva para cantar o que ele e os outros rapazes tocassem. Está claro que esses cinco têm a obrigação clara e inequívoca de nos divertir?

O grupo se apresenta nos redutos vintage de Curitiba e aonde mais os convidarem. Tem uma agenda bem recheada, mas ainda sem os apertos claustrophobicos de alguns conjuntos retrôs da Europa, como os alemães do The Baseballs, e dos Estados Unidos. Esperam até os americanos verem o repertório, então eles começam a fazer sucesso de verdade aqui no Brasil também.







Website do Viva Las Vegas, clicar aqui.
Myspace de Annie & The Malagueta Boys, clicar aqui.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os bailes retrôs - 60s

Fonte da imagem: http://revi-vendo.blogspot.com.br/

Têm proliferado os bailes temáticos de outras épocas, no Brasil, especialmente entre os antigomobilistas. Embora haja aqueles com miscelâneas de épocas, os mais comuns são os dos anos sessenta, não só pela facilidade em encontrar material, mas porque foi a época em que começamos a ter uma produção cultural e industrial realmente relevante, embora ainda tímida.

Interessante notar que as pessoas se referem às outras décadas como se elas fossem uniformes do início ao fim, como se a moda da anterior desaparecesse rapidamente na vidara do ano, o mesmo acontecendo com a de então quando a seguinte surgisse. Bem, não é assim que funciona. Vamos tomar o caso específico da década de 1960.

Fonte da imagem: http://www.theeuropeanlibrary.org/tel4/?locale=pt
De 1960 até cerca de 1963, os anos finais de 1950 estavam por toda parte, fortes como novos. Embora o estilo mais limpo e minimalista seja a marca sessentista, o volume e a imponência cinqüentista estavam por toda parte, com desaparecimento gradual dos catálogos comerciais, tanto na moda, quanto nos carros e na mobília. Embora já aparecessem as roupinhas que deram a tendência dos anos seguintes, mas a década anterior ainda não parecia velha. Mesmo nos rincões mais interioranos deste país, as novas modas não demoravam mais tanto a chegar e, pasmem, o povo da roça tinha bem menos preconceito contra a barra alta do que os da cidade grande. Havia uma miscelânea de épocas, pelo menos onde eu vivia, mas isso é outra história.

Fonte da imagem: http://www.thefashionspot.com/
 De fins de 1963 até cerca de 1967, especialmente com o advento do modelo comercial da mini saia, o estilo minimalista bem cinturado estava em voga, especialmente por influência da diva Audrey Hepburn. Também aqui começa o culto ao retrô e vintage, ainda de modo discreto, como um nicho de intelectuais e gente mais desapegada do status quo, este que passa a ter no vintage mais uma âncora, com o tempo. fazer o que? Mas a função deste blog é trazer as lições e as cousas boas de cada época, fiquemos com elas então. Como miolo da década, esta época torna-se o divisor de águas e, embora não desapareça nem de alguns catálogos, as roupas de antes começam a envelhecer, ao menos as que mantêm todas as características de quando foram lançadas.

Fonte da imagem: http://enjoysthin.gs/

Daqui então até a virada para 1970, com os hippies e a cultura do paz e amor, rapidamente deturpada pelo narco tráfico, vêm as roupas coloridas berrantes da cultura psicodélica, liderada oficialmente pelos garotos de Liverpool. As roupas ficam mais soltas, inclusive as formais, fomentadas pelo incremento do turismo externo dos americanos, no auge de sua influência mundial, eles que se tornam atrações tão interessantes quanto os lugares que visitam, com suas roupas de férias extravagantes e seus micos hilários. Estampas fractais ganham força a duram até quase o fim da década seguinte.

Aviso, porém, que ao longo dos anos sessenta, embora com a predominância da época específica, todas as modas da década conviveram em relativa paz, sendo possível encontrar catálogos de época com modelos que remetem a vários anos anteriores, devidamente actualizados.

Um equívoco recorrente é vestir as crianças da mesma forma como os adultos. Roupas de criança imitando as dos adultos é moda recente, e meio besta, diga-se de passagem. As roupinhas retrô e vintage são feitas para dar conforto e realçar a fase em que a criança vive. Uma menininha dos anos sessenta não usava blusa com elastano e saia esvoaçante com anáguas embaixo, usava vestidinhos coloridos, com golas bem desenhadas e bolsos, geralmente um chapéu estilizado e sapatinhos de verniz. Repito que a moda idiota de fazer mini adultos é recente, totalmente diferente de meados dos anos oitenta para trás.

Também há o problema de se definir que tipo de baile seria. Em uma mesma época temos as roupas do cotidiano, as de trabalho, os uniformes, as roupas de passeio, as formais e as de gala, todas distintas entre si, embora carreguem as marcas de sua época. Que estilo escolher? Um baile de formatura, por exemplo, tinha roupas mais finas do que os bailes semanais da escola, um baile de debute era ainda mais formal e por aí vai.

Ok, o que vocês querem é só reviver a época e mais nada, sem compromissos maiores de fidelidade. Certo, uma produção bem feita dará belíssimas photographias, como o último baile do Fusca Poços de Caldas aqui. Neste caso, foi uma confraternização, onde a maioria dos participantes mal conheceu os anos setenta, quanto mais os sessenta. Aqui vale então mais a seleção de músicas. Para quem não quer carregar toneladas de vinís para cima e para baixo, correndo até o risco de danificá-los, recomendo levar um computador e conectar ao Malhanga Home Page, este aqui, que tem na coluna à direita links para o melhor dos anos sessenta, em páginas de música francesa, italiana e em inglês, e até preciosidades em português que não chegaram às nossas paradas de sucesso... e olhe que estavam paradas, imeginem se fossem andadas!

Para a indumetnária, recomendo o Fashion era aqui, que conta a história da moda desde a idade média, com bom nível de detalhes, até as décadas mais recentes, inclusive fazendo a devida separação de épocas, dentro de cada década do século XX. Também o My Vintage Vogue aqui, que traz photographias muito nítidas, propagandas de época, enfim, um complemento perfeito e valioso ao primeiro site.

Aqui um baile da época:
Aqui um baile retrô:
Website do Fusca Poços de Caldas, clicar aqui.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Brechós, esses incompreendidos



Só em um país de mentalidade terceiromundista para um brechó ainda sofrer tamanho preconceito. Em praticamente todos os outros países, inclusive de terceiro mundo, se é que esta expressão ainda tem grande valia, eles conquistara os status de "moda alternativa", "mercadores de história" que pode ser também aplicado aos pregos, depois falarei deles, "pechinchas de bom gosto" entre outros. Em países desenvolvidos, os brechós têm um nível de profissionalismo e sofisticação que humilham muitas de nossas lojas de grife. Alguns só aceitam roupas de boa procedência e em perfeito estado, no máximo precisando tinturar ou pregar botões, algo ainda longe da nossa realidade. Mesmo por aqui há brechós que passam por lojas finas, como verão mais a seguir, mas a regra é mais acanhada mesmo. Profissionalismo, aliás, é artigo escasso em todo o território nacional, convenhamos.


  Eles sempre existiram, simplesmente porque sempre existiu gente pobre, e ainda haverá por muitos séculos. O princípio é simples, um estabelecimento modesto compra roupas ainda em condições de uso, mas que seus donos originais descartaram, seja por saírem de moda, por apresentarem alguns defeitos, desgaste pelo uso normal, nova condição sócio/cultural/religiosa/ideológica/escalafobética, ou puro consumismo mesmo. Como "ninguém mais quer" aquelas peças, elas podem ser compradas por uma ninharia, e revendidas por preços camaradas, mesmo assim oferecendo uma boa remuneração ao dono do brechó.

  Sei de um sujeito na Califórnia, que conseguiu uma vida confortável com isso, comprando pilhas de roupas excelentes para uso, por cinqüenta doletas, e conseguindo cinco mil fácil, fácil pelo lote, no varejo. Isso com as boas, as perfeitinhas. As peças que têm pequenos defeitos, o mala rotula de "design" e vende por algumas centenas de dólares, cada uma. Pensaram que malandragem fosse cousa de brasileiro? Há! Amadores!

Fonte da imagem: http://blogdanielipenteado.blogspot.com.br/2012/01/
  O estigma de pobreza-fashion-wear começou a cair por terra no fim dos anos cinqüenta, com mais força a partir do segundo terço dos anos sessenta, quando a contra cultura começou a ter forma. Um rápido adendo, essa conversa de contra cultura é uma bobagem, no fim das contas é tudo cultura e dará meio de vida lítico para alguém. Continuando, foi quando o rock'n roll tomou conta do mundo e as bandas inglesas contra atacaram a invasão americana. Velhas camisas com babados e fru-frus, guardadas em baús porque ninguém queria ser visto vestindo aquela aberração, mas gostavam veladamente, passaram a ser disputadas pela juventude inglesa. Claro que rapidamente voltaram a confeccionar as peças, mas as com história, as realmente antigas, após alguns ajustes, ganhavam o mesmo poder de status de um fraque novo em folha. Os garotos de Liverpool ajudaram muito a popularizar as roupas usadas, com suas fases extravagantes, tirando de vez o medo do ridículo dos jovens. God save The Beatles! Por aqui, a Jovem Guarda se encarregou de fazer o estrago, concomitantemente com os desenhos da Hanna Barbera.

O 500 original. Fonte da imagem: http://www.topolin-auto.fr/
 Aqui cabe um comentário a mais. É esta a diferença entre o retrô e o vintage. O retrô imita, remete a, ou se inspira fortemente em uma peça histórica, enquanto o vintage é a própria peça histórica. Um Fiat Cinqïüecento 2012 é retrô, já o de 1957, o pequenino Tota, como é chamado na Itália, é vintage. Já o Fusca é vintage do primeiro ao último, porque ficou praticamente intocado nas sete décadas de produção, o Beetle é um Golf retrô, porque só foi (mal) inspirado no original. Só que uma peça vintage, por sua própria natureza de antiguidade, não dá para quem quer, simplesmente porque sua matriz não existe mais, daí a proliferação do estilo retrô em absolutamente todas as áreas do comércio. Daí também, o crescente interesse dos meliantes por peças antigas em bom estado, especialmente os carros.

Os brechós do Brasil tiveram um forte impulso do espiritismo, cujos seguidores costumam fazer bazares beneficentes, onde aceitam peças de qualquer origem e se dispõe a consertar pequenos defeitos, para ajudar a custear as obras de caridade. Sem querer, eles fertilizaram a semente do mundo vintage, que na época em que começaram ainda estava por brotar. Com base no princípio de dar valor pela utilidade, já que o apelo mercadológico e social praticamente desaparecem, na maioria das vezes, os brechós acabam aumentando o producto interno bruto de um país, pela reutilização e conseqüente maior circulação de capital, isto sim um produtor de riquezas sólidas.

Fonte da imagem: http://www.70sfashion.org/

 Como as pessoas de bom gosto e pouca verba podem se beneficiar em um brechó? Munindo-se de paciência e perseverança. Da mesma forma como o dono do estabelecimento precisou garimpar as peças por aí, o consumidor final também terá que procurar e filtrar muito, mas muito mesmo. Primeiro porque trata-se de roupa usada, de procedência desconhecida, cujo antigo dono pode ter uma compleição completamente diferente da tua; Segundo porque é quase certeza de que aquela peça é a única do modelo naquela loja, tanto mais quanto mais fina for, inviabilizando uma troca e dificultando ao extremo encontrar outra de outro tamanho; Terceiro porque aquele paletó, por exemplo, pode ter saído da fábrica como um tailleur completo, cujas peças estão espalhadas por vários brechós distantes entre si, obrigando o comprador a gastar sola ou se virar para conseguir uma boa combinação. É fácil sair pensando que está bem equipado, mas pronto para vencer o concurso da Festa da Marmota. Peças usadas demandam muito mais cuidado na escolha, jamais se esqueçam disso. Por falar nisso, há peças, especialmente dos anos sessenta a setenta, que foram pensadas para certos penteados e maquiagens, nem sempre combinam com outros diferentes, então não tenha vergonha do espelho, na hora de experimentar, para não passar vergonha depois, na reestréia da peça.

Fonte da imagem: http://www.chictopia.com/
Aliás, para festas temáticas, vídeos e peças teatrais amadores afins, um bom brechó é a melhor pedida. Como o deste vídeo aqui, no Bolsa de Mulher. É garantia de fidelidade para com a época-tema com custos bem camaradas, e de excelentes photographias do elenco. No caso do "Desculpe, Eu Sou Chique", é também um prego com toda memorabilia necessária a quem precisa ou gosta de ser legitimamente vintage.


Outra boa pedida, mas que demanda cuidado redobrado, por motivos óbvios, é a seção de antiguidades do Mercado Livre, aqui. É um tormento para gente de bom gosto com pouco dinheiro no bolso, e um campo minado para o internauta displicente ou inexperiente.

Os brechós tradicionais, cujos donos só querem um meio de vida para sustentar a família, existem aos montes, a maioria de gosto e com estoque duvidosos. Mas também já há os que enxergaram além do leitinho das crianças,  e têm instalações dignas de lojas de grife, com peças de alto nível e preços correspondentes, não raro comprando algumas dos brechós tradicionais, para reformar e revender. Eles chegam ao requinte de não só parecerem, mas terem sua própria grife, copiando roupas de época e reproduzindo os modelos mais procurados; eis aqui a solução para aquele tailleur fragmentado. Estilistas sérios, aqueles que não querem ver as mulheres parecerem palhaças esqueléticas, costumam recorrer a esses brechós, quando não têm os seus próprios. Até por não terem recursos abundantes nas mãos, esses estilistas acabam percebendo que as mulheres têm curvas, mesmo as mais magricelas, e uma roupa feita para cabides não vai ficar bem nelas.

 Para quem gosta do ramo, como as doces amigas Mymi e Sereninha, e pensa em viver disso, as notícias são muito boas. O custo de implementação do negócio é baixo, bastante baixo. Por oferecer quase nenhum risco, pois risco zero não existe, tem pouca burocracia e geralmente a licença para abertura é rápida... A não ser que queira-se vender também cosméticos, aí tem que ter o alvará sanitário, que é bem mais complicado. A sugestão é começar procurando nos bazares dos centros espíritas, que já fazem a triagem e pequenos reparos, vendem por uma pechincha e têm muita facilidade em conseguir novas peças velhas. Aliás, a quantidade de espíritas bem-sucedidos é maior do que a média, uma amizade com eles garante conseguir roupas mais finas e difíceis de se encontrar, assegurando um bom diferencial logo na inauguração.


 Apesar de ser mais fácil, desaconselho colocar todo o estoque à vista e de qualquer jeito, no salão de vendas. Além de expor as roupas ao desgaste e danos, nivelará a clientela por baixo. Quem realmente se interessa pela garimpagem de roupas porque quer, não simplesmente porque está sem grana, não se furtará o direito de lhe pedir informações e sugestões. Como em tudo, na cultura retrô-vintage, fazer amizade com o cliente é fundamental, porque se ele fosse atender simplesmente à "racionalidade vigente", iria directo a um atracadão e compraria um lote de jeans e camisetas variadas. Mas preferiram ter o bom senso de perceberem que não são bio robôs, preferiram se dar o direito de cultivar a nobreza de uma boa garimpagem, mesmo quando não têm títulos nobiliárquicos. No fim das contas, quem conhece um pouco de história sabe pelo que os primeiros nobres passaram para merecerem seus títulos de nobreza, então vão garimpar de queixo erguido.


Como sempre, segue uma lista de links afins, alguns estão sem actualização há meses, mas todos valem à pena: 

Chictopia, clicar aqui.
Café Brechó, clicar aqui
Maria Brechó, clicar aqui.
Plato's Closet, clicar aqui.
Brechó Online, clicar aqui
Brechó da Lulu, clicar aqui
Minha Avó Tinha, clicar aqui.
Personal Brechó, clicar aqui.
Blos Fashionismo, clicar aqui.
Acessorize Brechó, clicar aqui.
Best Used Clothing, clicar aqui.
Brechó Alice Usava, clicar aqui
Brechó Reinvenção, clicar aqui
Bom, Bonito e Usado, clicar aqui.
Vintage Brechó Online, clicar aqui.  
Used Clothes Australia, clicar aqui.
Era Uma Vez Outra Vez, clicar aqui
Brechó Mimis In The Sky, clicar aqui

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Viver, Ver e Rever


Dica para os paulistas. O Primeiro Clube do ônibus Antigo realizará mais uma exposição anual, com o patrocínio da Mercedes-Benz, de seu acervo, para visitação pública gratuita.

A exposição será no Memorial da América Latina, dias dez e onze de Novembro, das 09h às 17h, com ambiente familiar e espaço de sobra para as crianças, até porque veículos do porte dos expostos precisam. O clube foi idealizado e veio à luz pela luta e competência de Antônio Kaio Castro, cujos frutos resultaram até na lei n° 14.145, que institui o dia da Preservação da Memória do Transportes em Ônibus, a ser comemorado, como já diz o cartaz, dia trinta de Novembro.

O que tem a ver com ser vintage? Tem a história. Os mais jovens aprenderão como era a vida nas épocas em que os ônibus e caminhões expostos saíram da linha de montagem, por conseqüência terão também a chance de raciocinar, ver bem os caminhos que levaram à degradação do transporte público. Mas não é só a parte ruim, longe disso. O evento costuma ser frreqüentado por ex-motoristas e antigos usuários dos veículos, que não fazem cerimônia em repassar sua experiência aos mais jovens, tendo os carros de época como instrumentos pedagógicos.

Alguns ônibus causarão estranheza, como os Mercedes e Chevrolets derivados dos caminhões, respectivamente dos anos cinqüenta e sessenta, uma época em que esses veículos eram brutos, sem qualquer amenidade, nem de longe lembrando a tecnologia de ponta e requintes de extremo luxo que recebem hoje, nas fábricas.

Sim, meu amigo, aquele estereótipo do caminhoneiro musculoso e cansado é real. Até o início dos anos oitenta, não havia essa moleza de direção assistida para caminhões. Até que dava para levar tranqüilo em velocidade, que para a maioria não chegava a 90km/h, mas na hora da baliza, o muque sofria! Hoje, com um dedo tu giras o volante de um extra-pesado com mais de sessenta toneladas no lombo, ou um mega ônibus rodoviários de dois pavimentos e quatro eixos, dois deles esterçantes. Nos anos setenta, um torpedinho de doze metros já era garantia de bíceps fortes.

Provavelmente uma jardineira dos anos vinte, ônibus com carroceria de madeira e laterias abertas, à moda dos bondes, estará presente, para a alegria das crianças, que têm sido o público mais receptivo do antigomobilismo. Não vamos decepcioná-las, heim!

Então, meuis queridos, se organizem, marquem na agenda e, se possível, visitem os brechós para conseguirem roupas de época, ou pelo menos copiar algumas peças, para fazerem bonito e darem brilho extra a um evento que é a realização do sonho de um brasileiro digno e perseverante. De quebra, terão dois dias de lazer sadio e tranqüilo, próprio para estreitar laços afetivos e familiares.


domingo, 8 de julho de 2012

Ah, as ferrovias!


Uma malha ferroviária decente não é apenas uma necessidade básica para qualquer país. E não me refiro apenas a nações com médios e grandes territórios, nem os gigantes como o brasileiro, o Japão é um país pequeno e retalhado por linhas férreas que impõe respeito a qualquer nação.

As ferrovias são também um dos modos mais retrôs de se viajar. Em lenta decadência, dos anos oitenta até início deste século, estão sendo retomadas graças à cultura vintage, financiadas por pessoas que querem fugir deste mundo atormentado, ainda que algumas horas, aproveitando o que as décadas passadas têm de bom a oferecer. E é muita cousa, asseguro.

Não se sabe com certeza, mas provavelmente tudo começou quando alguém com verba, convidou amigos e/ou parentes para um passeio como na época em que era pobre. Muitos grupos passaram a alugar velhos trens para passeios diferentes, para terem algo de realmente novo para mostrar e contar aos amigos, ou simplesmente relaxar. Acontece que a cultura vintage age justamente assim, chamando as pessoas discretamente, sem que elas percebam. Quando se dão conta, já foram contaminadas até em seus alelos.

O melhor, por assim dizer, dessas ferrovias quase esquecidas, é que elas levam a localidades onde o tempo ficou preguiçoso, seja andando devagar, seja deixando alguns pedaços pelo caminho, levando a providencial ajuda financeira do turismo a cidadelas que acreditavam não ter o que apresentar. e Justo por causa do turismo, passaram a preservar aquilo que começou a atrair os turistas, dando aos jovens uma chance de prosperar sem precisar abandonar sua cidade.

Não falo dos modernos trens-bala, nem dos futuristas trens de levitação magnética já em testes, estes o primeiro mundo conhece bem. Tanto lá como cá, o desejável é a viagem em locomotivas dos anos sessenta para trás. Em um continente que ficou no fogo cruzado da guerra fria, as viagens em trens antigos relembra os europeus das agruras das guerras, e do pós-segunda-guerra, que mergulhou o continente em um mundo à parte que dura até hoje, apesar da crise que não durará para sempre.

Os Estados Unidos, do tamanho do Brasil, têm uma malha ferroviária que volta a crescer e dedica muito espaço ao turismo ferroviário. Como a cultura vintage por lá é a mais forte, os trens de época em condições de rodar também são os mais numerosos.

Isso não acontece somente no exterior, por incrível que pareça, no Brasil também existe uma letárgica, mas sólida revitalização das ferrovias antigas, por causa do turismo. Hoje, a maioria é apenas de curiosos, gente que quer paisagens diferentes, colocar photographias no facebook, que não seja de balada e bebedeira e por aí vai. Há uma minoria, porém, que não só organiza passeios afins, como faz questão de dar o ar retrô à viagem.

Um bom exemplo é a cidade de Campinas, em São Paulo, que mesmo já sendo uma metrópole, tem prédios centenários, praças preservadas e uma malha ferroviária operante, ambos atraindo turistas de todo o país. A locomotiva à vapor vai até a cidade de Jaguariúna, ida e volta duram cerca de três horas. A viagem é lenta para permitir aos passageiros o registro detalhado da paisagem, cheia de história.

Em Paranapiacaba, que todos os anos recebe a convenção de magos, bruxos e feiticeiros, tem o típico charme londrino do começo do século, praticamente dodo preservado. Lá o passeio é assegurado por uma locomotiva à vapor e vagões de madeira, da São Paulo Railway. Uma boa pedida para os elegantes streampunks.Chegar à Paranapiacaba é atravessar uma fenda temporal para a béle époque.

Ente Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, na serra gaúcha, há outra locomotiva à vapor que percorre 23km de trilhos bem conservados, passando pela cidade de Garibaldi. O trecho é conhecido como Ferrovia do Vinho, e atrai mais turistas do que se possa imaginar, especialmente na primavera e inverno, quando as diferenças climáticas tornam a região totalmente diferente do restante do país. São duas horas de um passeio calmo, mas festivo.

De Pindamonhangaba a Campos do Jordão, desde 1914, há um trem que foi idealizado para fins medicinais, para ajudar pacientes tuberculosos com o clima ameno da serra. Claro que a beleza da região logo despertou atenção e arrancou suspiros, fazendo os pacientes voltarem desta vez para desfrutar do lugar.

O Trem da Serra do Mar liga Curitiba a Morretes e Paranaguá, sendo o segundo ponto turístico do Paraná. Os 71km da ferrovia são percorridos por uma locomotiva de alumínio, modernosa para os anos cinqüenta, revelando canions, despenhadeiros, ruínas de antigas estações e muitos abismos. Aviso de antemão que Morretes é sinônimo de gastronomia, então não venham reclamar de terem ido ventindo 36 e voltado com tamanho 40.

Em 2009 foi inalgurado o Expresso Turístico Estação da Luz - Jundiaí, que se vale de uma valente e charmosa locomotiva diesel-elétrica da CPTM, com quase sessenta anos de uso. A intenção é dar uma aula de história da ferovia paulista, assim o itinerário inclui as cidades de Paranapiacaba e Mogi das Cruzes. A Estação da Luz em si é um espetáculo de engenharia da bélle époque, que dá aos memorabilistas o pontapé no clima de romantismo e serenidade que buscam.

Também de 2009, temos o Pantanal Express, no Mato Grosso do Sul. Já alertando que lá é quente como a maioria de vocês nem imagina o quanto, a ferrovia liga os 220km entre Campo Grande e Miranda, tendo como pano de fundo a complexidade frágil do pantanal. Passando por Aquidauana, a viagem dura oito longas horas, incluindo as paradas. Para quem gosta de safári photográphico, é o que temos de melhor no Brasil.

O Espírito Santo tem o Trem das Montanhas Capixabas, que leva o turista de 15m para 530m de altitude, atravessando a mata atlântica, com direito a túneis e cachoeiras. O trajeto parte de Viana, passa pela romântica Domingos Martins e vai até Marechal Floreano, a cidade das orquídeas, terminando no distrito de Araguaya.

E Minas Gerais ficaria de fora, sô?? De jeito nenhum! A Ferrovia Centro Atlântica vai de Ouro Preto até Mariana. O percursos parece ter mil quilômetros, tamanha diversidade de paisagens e número de acidentes geográphicos. São túneis, vales, despenhadeiros assustadores. Os vagões são panorâmicos, com as laterais de vidro até a curva do teto, garantindo total visibilidade e o completo desespero dos photógraphos, que vêem a paisagem nítida de ambos os lados, mas só podendo se concentrar um um de cada vez. E olha que tudo isso está concentrado em meros 18km, com duração de uma hora, aproximadamente.



O assunto é fértil, longo e ainda voltarei a abordá-lo. Por hora, fiquem com alguns links que consegui, por hoje:

Website do Uol Viagens, clique aqui.
Website da Serra Verde Express, clicar aqui.
Website da Prefeitura de Campinas, clicar aqui.
Website turístico de Paranapiacaba, clicar aqui.
Website da Tourist Trains Eorldwide, clique aqui.
Website do Guia do Litoral/Vila Velha, clicar aqui.
Website da North American Tourist Railways, clicar aqui.
Website do Expresso Turístico Paranapiacaba, clicar aqui.
Website da Estrada de Ferro de Campos do Jordão, clicar aqui.
Wensites aos montes de passeios de trens pelo Brasil, clique aqui.
Website da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, clique aqui.
Websites das prefeituras de Bento Gonçalves, Nova Petrópolis, Gramado e de Vale dos Vinhedos, clicar nos nomes.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vida retrô - os diners


O que é um diner, basicamente? Um trailer grande adaptado para ser um restaurante barato. Mas o termo também é estendido às lanchonetes pré-fabricadas. Só isso? Tecnicamente, sim, mas não sou tecnicista e contarei a parte bonita da história.

O primeiro diner de que se tem registro surgiu em 1872, criado por Walter Scott, que era uma carroça que servia pequenas refeições. A praticidade e honestidade do serviço garantia os preços baixos, acessíveis aos trabalhadores da época. Como tudo o que é bom, nasceu da necessidade de alguém ganhar a vida e de outro alguém receber um serviço urgente, no caso, alimentar-se sem gastar muito. Daí a associação quase instantânea do diner com um prédio assemelhado a um veículo.

Fora do Brasil, carros e acessórios usados costumam ser baratos, desde sempre, tanto que lá fora é possível comprar um Cadillac De Ville ano 2000 em estado de zero quilômetro, e requintes que nenhum nacional sonha em ter, por menos de quinze mil reais, embora aqui o mesmo modelo e versão custe setenta paus, mesmo assim vantajoso em relação aos classe-média metidos à besta que nos vendem. Em suma, rodar nos Estados Unidos ainda hoje é relativamente barato. Não há a nossa burocracia estúpida, feita por ignorantes no assunto, para impedir que uma pessoa física construa seu ônibus, seu reboque, enfim, não se atrapalha quem quer trabalhar honestamente. As flexões da palavra "honestidade" serão lidas mais vezes aqui, eu gosto delas e seu efeito no subconsciente é muito benéfico.

http://dmjuice.desmoinesregister.com/
Com isso, não é de se admirar que existam tantos campos para traileres e motorhomes, que acabam ficando com os pneus quadrados com o tempo, mas ainda podem empreitar boas viagens. São moradias baratas para quem não pode comprar uma casa, ou prefere o estilo de vida mais livre. Uma carcaça de ônibus ou bonde, então, por perfeita que esteja, é vendida a preço de matéria-prima usada. Alie-se isto à facilidade em abrir uma empresa et voilá, mais um empreendedor tentando sustentar a família com um negócio próprio. Sim, eles gostam de luxo, mas no cotidiano a ostentação não é bem vista entre os americanos, lição que nós deveríamos aprender com eles.

Com tudo isso fica fácil perceber que os diners tiveram um campo fértil, especialmente nos anos de recessão. A estrutura robusta e leve de um automóvel dispensa maiores adaptações, em termos de segurança, e resiste muito bem ao tempo com pouca manutenção, ideal para quem tem muita vontade de trabalhar e pouco dinheiro para investir. A regra era, e ainda é, oferecer um ambiente limpo e honesto. Honestidade, por falar nisso, é algo que faz muita falta às lanchonetes de fast food de hoje! Precisar apelar constantemente à venda casada de brinquedinhos para atrair público, faz favor!

Com essas características, os diners atraíram rapidamente a juventude, que começava a desfrutar de uma abundância de recursos e oportunidades que seus pais não tiveram, no pós-guerra. Claro que a nova clientela incentivou a redecoração dos treileres usados, que passou de mínima para alegre e informal. As juke box passaram a fazer parte do ambiente e toda a encrenca tomou a forma clássica que conhecemos, eternizada por filmes e documentários americanos. Como os pais já se encarregavam de dar a formação culta aos pimpolhos, eles se sentiam livres para aproveitar a vida informal enquanto podiam, afinal já tinham feito por merecer a folga à noite.

 E claro que com a presença da garotada, e os donos querendo manter a clientela, logo uma relação de amor e ódio se estabeleceu, e os rapazes envelheceram lembrando daquela garçonete linda, que ouviam dizer que dava para todo mundo, mas nenhum de seus amigos consegui pegar. Com certeza foi só boato de um fanfarrão com dor de cotovelo. O facto é que toda moça que sabe colocar um marmanjo em seu devido lugar, sem ser grossa, acaba se tornando um mito na comunidade e objecto de desejo dos rapazes.

Alguns desses rapazes, que também conheceram os anos de ouro das pin-ups, hoje vivem das mesmas ilustrações que compravam outrora, como Greg Hildebrandt, o autor da pintura ao lado, que certamente se inspirou em romances, correspondidos ou não, de sua juventude. Aliás, já tratei das pin-ups no Talicoisa, mas voltarei a falar delas com mais profundidade neste blog apropriado. Basta eu reunir material, mas podem ir se adiantando e ler aqui.

Os mais sofisticados, ainda que construídos em alvenaria, costumam imitar as linhas automotivas que fizeram a fama dos restaurantes. Como tudo o que é bom e duradouro, os diners nasceram de uma necessidade, como a de gente que precisava de uma boa refeição a preços camaradas, para o quê dispensavam a sofisticação e o conforto que os restaurantes incluem na conta. Não fossem nossas ruas esburacadas e nosso trânsito caótico, seria uma boa idéia um diner automóvel, que oferecesse um passeio enquanto os clientes são atendidos e, quem sabe, até comem para descer perto de seu destino.


Como fazer um Diner? Basicamente o mesmo procedimento para abrir um, como chamamos em Goiás, pit-dog. Bastaria um trailer e algumas cadeiras com mesas, só que um pouco mais sofisticado. Agora, num diner que mereça o nome da tradição, é preciso um bom trabalho de arquitetura, como os pioneiros fizeram intuitivamente. Como na ilustração acima, do I-70 Diner, este aqui, uma composição clássica e infalível, com cadeiras ou banquetas giratórias individuais ao balcão, e bancos contrapostos, para dois ou três, com mesas internas. A cozinha é mínima, por isso mesmo precisa ser a mais racional possível, bem como a despensa, algo que a tecnologia de hoje permite facilmente. Um ônibus urbano grande com baixa no detran, pode ser arrematado por menos de trinta mil reais, um quinto do que custaria uma estrutura de alvenaria com dimensões e robustez similares. Um funcionando e em condições de ser um diner itinerante, passa fácil de trezentos mil.

O que precisa para se trabalhar com um diner? O mesmo que um empresário normal, só que aqui vale a visão aguçada de quem fez sucesso, como o 210 Diner de São Paulo. Hoje em dia até se atrai muito a juventude, mas a combinação feliz de sofisticação e informalidade agrada muito aos adeptos do retrô e vintage, especialmente aos que têm mais de quarenta anos... É, como eu, engraçadinho. É preciso saber servir o cliente, estar disposto a ter sua amizade e conciliá-la com os negócios. Feito isso, metade do sucesso está conquistado. Também é preciso treinar muito bem os funcionários, que precisam ter muito bom humor e disposição para conversas rápidas, enquanto servem ou recolhem pratos. É preciso, como nos anos clássicos dos diners, ser um amigo do cliente, ainda que ele não esteja disposto a amizades no começo; com o tempo ele cede, é batata. Se a decoração for retrô, não poupe tempo à internet para uma boa pesquisa, ou cairá na tentação de fazer um burlesco bizarro.

A decoração pode ser complementada com cartazes e cardápios ilustrados à moda antiga, sem precisar vender Mirinda, afinal é uma adaptação de época, não uma fenda temporal. Não se furte o direito, e dever retrô, de promover bailes e festas temáticas, com prêmios para os mais bem caracterizados. Lembrem-se de que chique e informal não são antônimos, Audrey Hepburn provou isso.



Diner na Wikpédia, clique aqui.
Website do 210 Diner, clique aqui.
Website da OH-Diners, clique aqui.
Website do Baltimore Diners, clique aqui.
Website com as pinups de Hildebranddt, clique aqui.