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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Santa Catarina Custom Show 2019


    Tem festa nestes sábado e domingo! O sul do Brasil reassume sua locomotiva a vapor e puxa os vagões da cultura retrô/vintage do país. Mesmo o gigantismo de São Paulo não consegue competir com Paraná e Santa Catarina.

    O Centro de Eventos de Itajaí sedia um dos maiores festivais do gênero na América do Sul, com tudo a que tem direito seu exigente público, incluindo o concurso de Miss Pin-Up. Neste ano Goiás conta com as graças de duas charmosas e elegantes participantes, Mrs Dany Ervilha e Babi Violet, membros do Pin-Up Girls Gyn da Grande Goiânia. Conheça-as aqui.

    Aliás, eu já falei delas aqui. Posso dizer que evoluíram muito, cresceram muito e já temos uma, praticamente, confederação pin-up em Goiás. Paciência e solicitude dão recheio ao seu charme. Elas fazem um trabalho muito bonito com as (verdadeiramente) plus size, alimentando sua auto estima e seu amor próprio com a cultura retrô.

    Não basta vestir uma roupa de época para ser pin-up, precisa ter conteúdo.

    Além do concurso de pin-ups, haverá workshops temáticos, exposição de carros antigos originais e customizados, atrações musicais nacionais e dos Estados Unidos, entre outros, além de gente bacana que cuida da própria vida. É, apesar da festa e da descontração, um evento para toda a família. Ainda há tempo de retardatários aparecerem, as bilheterias abrem às dez horas da manhã.

   
Charmosas, cultas e solícitas; estamos bem representados.

Telephones do evento: (47)99918-54110 | 98480-8712 | 98445-6955

Ver mais aqui, aqui e aqui.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Um encontro de veículos antigos em Goiânia


Thunderbird 1955, diante dos sócios do CVAGO


    Ainda no íngreme declive para o Cepal, vi o Puma do Mineirinho pegar a Rua 83 para o interclubes. Ágil e rápido demais para eu ter tempo de empunhar, ligar, mirar, focar e disparar a câmera; que já está obsoleta, demora mais para acordar. Se eu, que estou acostumado, ainda me encanto, imagino os motoristas em seus carrinhos iguais, vendo aquele conversível passando por eles!

O Puma do Mineirinho

    Cheguei pela calçada oposta ao decrépito Cepal do Setor Sul, na rua 115, já encontrando o habitual Fusquinha 1300 verde, com rodas de Xsara Picasso. Chegando vivo ao outro lado, dei de cara com a Kombi Jarrinha alvi-rubra do Matias, com que ele transportou a singela memorabilia que estava à venda. Algumas peças mereceram mais destaque, como um PABX dos anos sessenta ou setenta, ainda usando chaves para transferência de ligações. O povo nem sabia o que era, mas ficou encantado. Tempo em que ainda se ligava e pedia "Telephonista, ligue-me com Doutor Peebles". Também levou mimos decorativos, além das tradicionais peças que sabe-se lá como ele consegue! Dizem que tem um verdadeiro museu em casa!

    Adentrei enquanto photographava os Fuscas do Volks Clube. A tenda dele estava lá, no meio dos tedescos, exibindo a organização minimalista e acolhedora de seus sócios. O clube tem o senso de civilidade de oferecer lixeiras com seu emblema, para que sócios e público não precisem enfiar seu lixo no bolso. E vejam os milagres do antigomobilismo! O povo evitava mesmo jogar seus lixinhos no chão ondulado de asfalto do Cepal!

    Desta vez houve música ao vivo. Beto Senador levou um amigo cantor e tivemos momentos com Jovem Guarda e clássicos italianos. Era uma cena pitoresca ver aquele senhor cantando em italiano bem diante dos Pumas, do Puma Clube, que foram inspirados na Alfa Romeu Spider dos anos sessenta e setenta. Não perderam seu brilho por haver três Corvettes logo ao lado. Nem o Fusca 1960 se acanhou diante deles, que dirá os atrevidos Pumas!

Fusca 1960

    Aliás, os três do acervo do CVAGO, presidido pelo Alexandre de Jesus. O clube é o organizador do evento e coordenador dos demais no local. A batuta da sócia Márcia garantiu um café diversificado, com quitandas, café e sucos, asegurando a presença precoce dos associados. Ela acertou em cheio, os sócios se aglomeraram e conversas animadas se deram ao redor da mesinha. Bem ao lado, o Thunderbird 1955 com kit continental, em que o estepe fica do lado de fora, mas sem a altura desnecessária dos cafonas SUVs.

Ford Model A 1929 (primeiro plano) e 1930
    O maior encanto de um evento assim, no entanto, é a presença maciça de famílias inteiras. As crianças corriam serelepes aos mais antigos, como o Ford A Two Door 1930 do Elísio, que para elas deve ter um aspecto de brinquedo... Não é totalmente fantasioso, 72km/h não fazem frente nem aos 155km/h da finada Kombi. Mas como ele e o Ford A Phaeton 1929 (Ford Bigode) em fase de restauração, ao seu lado, fizeram aqueles olhinhos brilharem! Não só as crianças, mas as moças também, fazendo lembrar a saudosa música do Roberto. Ambos, como deve ser com qualquer automóvel, andando normalmente, dando de ombros para o trânsito e os buracos das ruas.

A quem não conhece, esta é a Vespinha
    As Lambrettas e Vespas finalmente voltaram a freqüentar o encontro mensal. Fizeram falta com seu charme lúdico, quase pueril, e seus pipocantes motorzinhos dois tempos. Também pareciam ser de brinquedo, com suas linhas suaves e quase maternais, especialmente a pequena Vespa. Mal passando de 80km/h, podem facilmente ser entregues a um principiante. Além de suas carenagens e posição de dirigir, sem um tanque no meio para obrigar a viajar montado, permitirem o uso de saias mais curtas sem sustos. Fora a existência do estepe e a facilidade para se trocar um pneu! Imaginei a amiga New em uma delas. Apesar do capricho, seus donos permitiram sem medo que os visitantes se sentassem nelas, para uma photo. Camaradagem faz parte do pacote, os sorrisos dos petizes também.

Opala de Luxo 1972
Zundapp
    Os opaleiros do Opala Gyn e Opaleiros de Goiânia também compareceram, animados e numerosos como sempre, exibindo o padrão de qualidade que a Chevrolet do Brasil um dia teve. Quando terminei de photographar um já raro e lindo Opala 1972 De Luxo, vermelho com teto de vinil, onde duas pequerruchas brincavam e conversavam na sala de estar que é o interior daquele carro, fui ao estacionamento e veio o simpático amigo Bariani puxar conversa.
Ele apareceu com sua belíssima e robusta Zundapp 1950, que deixou à disposição do público para apreciação detalhada. E haja tempo para apreciar tantos detalhes quase inexistentes nas motocicletas de hoje! Em vez de corrente, por exemplo, ela usa eixo cardã para a tração, como no Opala. A alemã chamou mais atenção da juventude do que as modernas e berradoras esportivas de dez mil rpm, que eram várias no estacionamento, naquele domingo. Mesmo roncando alto, na saída, foram ignoradas por quase todos os admiradores das antiguinhas.

Para quem tem saudades dos glamourosos motores V8, eles também estavam presentes, aos montes, tanto no CVAGO quanto no União V8, que voltou a ser regular nos encontros. O ronronar dos Mopar brasileiros encheu o ambiente, com a força bruta de quem não precisa de injeção eletrônica para empurrar um carro grande e pesado em reles marcha lenta.

    Havia ainda um rapaz expondo e vendendo miniaturas de boa qualidade e detalhismo, algumas raras no Brasil, mas também as populares e estranhas Hotweels, que venderam bem. Eu vi um pai coruja comprar duas de uma só vez. Vender bem, diga-se de
passagem, é um dos atrativos e motivos para os pequenos comerciantes prestigiarem eventos vintage e retrô como este. Mesmo com a boca livre nas tendas do CVAGO e do Volks Clube, quem foi vender lanches e acepipes não se arrependeu, mesmo os com carrinhos de picolé. Eles dividiam as atenções das crianças com os carros, as motocicletas e a memorabilia. Era como uma mini loja de brinquedos no evento, a garotada encheu os olhos. Lá precisei ter paciência, não se pode simplesmente dizer a uma criança para sair da frente de um brinquedo!

   Como há muito não acontecia, o evento foi bastante coeso. assim como a maioria chegou em horários bem próximos, a hora de terminar também foi bastante homogênea. Perto das treze horas as barracas estavam sendo desarmadas, os bólidos começavam a ir embora e as pessoas voltavam para casa. Estas, principalmente as crianças, com um monte de coisas boas para contar aos colegas na segunda-feira.

    Domingo, dia 27 de Abril, tem mais. Cepal do Setor Sul, a partir das nove horas. Entrada franca e sincera para os admiradores da cultura retrô e vintage.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A cultura vintage nascente em Goiânia

A bela e nascente juventude vintage goianiense.

No último domingo foi plantada uma sementinha vintage na amargurada cidade de Goiânia. Outrora rica em art déco, deliberadamente abandonada e vendida à especulação pela prefeitura, a capital teve um evento que pode ser o embrião dos festivais vintage que há nos Estados Unidos e na Inglaterra. Claro, não espero que consigamos toda aquela magnitude, mas vier a ser tão bem sucedida como as muitas feiras que povoam os fins de semana da cidade, estaremos no lucro.


O Segundo Encontro de Bicicletas Antigas de Goiânia, feito com a colaboração do Volks Clube de Goiânia, e os competentes e simpáticos amigos Sérgio Anos Cinqüenta e Sérgio Fuck The Factory, teve um brilho que denunciou as ambições do evento.

Além das Göricke, Philips, Monark, Caloi e outras bicicletas de marcas quase desconhecidas em terras nacionais, de encher os olhos, muitas da época em que bicicletas eram emplacadas. O mercadinhos de pulgas e antiquários levou uma variedade e qualidade de peças que até então não se imaginava haver na cidade. Belezas como um elegantérrimo rádio Philco valvulado, estavam à dispósição para apreciação, e alguns até para venda. O rádio, para quem ficou com água na boca, lamento, mas encontrou quem pagasse lá mesmo os R$ 850,00 pedidos pelo Matias. Mas havia muito mais, com ele e com outros expositores.

Um dos charmes arrebatadores foi um mini bar rockabily montado pelo Fuck The factory. Estilo anos cinqüenta, como os bares americanos de beira de estrada que atraíam
caminhoneiros e motoqueiros renegados naquela época, dando muito pano pra manga em Hollywood, tudo feito com o capricho de quem sabia o que estava fazendo.  No balcão havia a grade de um Galaxie 1969, para dar o ar de bar estradeiro, na pequena estante atrás, belas peças de época, como um rádio da segunda metade dos anos cinqüenta, um abajour de época e um gramophone maravilhoso, ao lado dele um tímido e singelo toca-discos portátil, do fim da década. A quantidade de detalhes simplesmente não caberia em um só texto, mas acredito que vocês já têm uma idéia do que eu presenciei. Se fez sucesso? Com venda real de bebidas, as mesinhas ficaram todas ocupadas. Vejam só, venderam bebidas e nem por isso houve confusão! Ah, esse mundo de hoje só é moderno no verniz, sob este é apenas uma reedição da antiguidade bárbara.

Em frente ao bar, um festival de duas rodas de fazer infartar os amantes de motos antigas. Três belas Lambrettas, uma indefectível Zundapp, Duas robustas BMW com transmissão por cardã, uma rara Matchless inglesa, a clássica e perigosa Yamaha 650, a furiosa Honda 750 Four "Sete-Galo", três singelas Garellis dignas de placa preta, além de gente passeando de bicicletas clássicas pela área do Cepal. Os selvagens das motocicletas surtariam com a cena. O que mais impressionava os neófitos, é que todas chegaram e foram embora pela força de seus respectivos motores, enchendo o ambiente de uma sonoridade que o excesso de rotações por minuto das motos modernas, nos nega todos os dias.


Com o tema "rockabily", o ambiente foi preencido com músicas de época, dos anos cinqüenta e sessenta, estrangeiras e nacionais, até antes da Jovem Guarda. Diga-se de passagem, o volume era bem confortável, na medida para todos ouvirem as canções sem ter que gritar para ouvirem uns aos outros. Ah, como tem gente precisando aprender esta regrinha simples de civilidade! Gente que incomoda o bairro todo e se faz de vítima perseguida.

Todas as músicas eram dançantes, alegres, que estimularam os jovens presentes, inclusive a adorável filha do nosso barman, vestida a caráter em seu vestido preto de bolinhas. Ela, uma amiga de saia azul rodada e dois rapazes com cabelos ala James Dean.

VENDIDO!
Carros antigos também, é claro, alguns no estilo rat-rod, vomo um belo Opala coupé e um imponente Galaxie 500. Além, claro de Fuscas, uma Variant, Opala Comodoro com capota Las Vegas, Coupé, Ford Corcel II, Dodge Dart, um raro Corvette Aniversary 1978, um impressionante Dodge Custom Royal com suas marcas temporais, duas gerações de pic-ups Ford F-100, duas Kombis Jarrinhas, um desbunde que ninguém esperava, mas aconteceu.

Incidentes? Nenhum. Nenhum mesmo! Todos os que foram querem voltar à próxima edição, cuja temática será "Elvis Presley", que chegará em em Cadillac conversível cor de rosa, que compareceu ao evento. Compareceu e roubou as atenções, foram dezenas de visitantes e expositores fazendo fila para uma photographia a bordo. Alguns detalhes denunciavam a idade, mas nada que lhe tirasse a beleza opulenta, nem que um trato não resolva. O funcionamento do carro e sua capota, estava impecável, tanto que ela foi baixada com ele em movimento, no meio do trânsito.


Nem a dor de cabeça que o calor vulcânico causou, ofuscou a satisfação que o testemunho naquele evento me proporcionou. Com toda certeza, os participantes e visitantes menos sensíveis ao clima, simplesmente amaram tudo aquilo.
Uma linda e robusta Göricke.

A quantidade de crianças absolutamente encantadas com o ambiente e seus detalhes, era de se perder a conta. Diante das bicicletas e velocípedes que poderiam ter sido de seus avós, talvez até bisavós,  elas ficavam extasiadas, querendo levar para casa. Pena, a maioria era só para exposição mesmo. Apesar dos sustos que os petizes sempre dão, disparando à menor distração de seus pais, nenhum se machucou. Havia adultos atentos, muitos adultos que viam neles os seus próprios filhos, até netos.

Os resultados práticos, que financiam nossas extravagâncias, foram satisfatórios, a ponto de todos terem dito que quem não foi, perdeu; não só dinheiro e não só entretenimento, mas ambos. Fisgar o cérebro, o coração e o bolso ao mesmo tempo, é uma das faculdades mais desenvolvidas da cultura vintage. Esperamos que com este evento bimestral a história se repita, e a circulação de capital faça seu trabalho. Ah, os tempos em que o dinheiro trabalhava para comprar coisas e serviços, em vez de comprar promessas futuras de mais dinheiro... A bolha imobiliária americana deu a lição.

Tudo durou das dez ás treze horas, tempo estimado pelos organizadores para um evento coeso e de acordo com a estrutura disponível. A conta fechou redondinha, mas os próximos vão demandar um pouco mais de investimento, porque a propaganda boca a boca começou lá mesmo. Só a estrutura do lugar poderia ter sido melhor, mas é o máximo que um evento cultural sem potencial político consegue do governo. Conseguir aquele espaço já foi uma vitória suada!

Caros leitores, foi lindo! A juventude no que ela tem de bom estava lá, prestigiando e se contaminando com a infecção vintage, para a qual não há cura. Espero sinceramente que meus amigos vintagistas de outras partes do mundo, um dia possam pegar uma publicação especializada e com um festival vintage de Goiânia.

Se vocês não imaginam dois jovens cheios de testosterona cumprimentando a namorada um do outro, sem sair briga, é porque nunca foram a um evento de antigomobilismo e memorabilia, como foi este. As pessoas passam a ter outra noção do que é liberdade, e usufruem dela como nenhum viciado em permissividade consegue da sua. Tudo o que os anos cinqüenta tiveram de bom, estava em pequenas doses naquele pequeno evento. Pequeno, mas indemovível em sua seara de crescer, florescer, frutificar e reflorestar Goiânia com o passado de beleza e esperanças no futuro, que nem faz tanto tempo que foi amputado.

sábado, 18 de agosto de 2012

O vintage de Curitiba para o mundo

Fonte da imagem: http://cartunistasolda.com.br/
Paraná é o maior celeiro vintage do Brasil, especialmente Curitiba. Podem dizer que seus cidadãos são metidos a besta, que pensam que estão em Londres, que são mal educados, mas a cidade tem qualidades e elas merecem ser destacadas. A que nos interessa aqui e agora, é a força da comunidade retrô e vintage curitibana.

Não basta fazer parecido, o curitibano vintage gosta de fazer bem feito, e faz. Existe um festival anual chamado Viva Las Vegas, que se dará de 28 a 31 Março de 2013. O mote do dito cujo é a cultura vintage e retrô, incluindo a música. Alguns meses antes do festival seguinte, eles convidam as melhores bandas do gênero do mundo, para participarem do festival. Como todo americano, se intitulam o maior festival de rock dos anos cinqüenta do mundo, o que deve ser verdade. As regras são simples e rígidas, para evitar alguém alegar que não entendeu, bem como para manter o nível e a organização do festival, afinal as pessoas vão lá para fugir dos problemas, não para conseguir mais, não do tipo que não dá retorno.

Serão quatro dias de moda, música, memorabilia, antigomobilismo, apresentações burlescas, pin-ups e tudo mais. Só o melhor em dezenas de eventos paralelos que, francamente, fazem ser parcos esses quatro míseros dias em Las Vegas. Serão cerca de sessenta músicos/bandas vintage na próxima edição, sendo cerca de uma dezena de outros países. O vintage fashion show, por exemplo, que contará com profissionais gabaritados, que vivem do que vão mostrar e moram em um país que recebe tudo o que há de melhor no mundo, além de um arquivo nacional capaz de transformar o costureiro mais incompetente em um bom copiador de moda retrô. Em suma, os anos quarenta e cinqüenta estarão vivos, com o que tinham de melhor, nesse belo evento... Sem as discriminações estúpidas da época, só o que havia de bom mesmo. A única crítica é mesmo o tempo, quatro dias não dão para quem quer conhecer tudo o que um festival de tamanho porte e sortimento oferece, porque tudo em Las Vegas é grandioso e sortido, inclusive as lições de sucesso que cairiam certinho no sertão do nosso nordeste. Acredito que uma semana e meia estaria de bom tamanho.

Negócios, claro que sim, o que seria de um evento tipicamente americano sem bons negócios? A própria lojinha do website do Viva Las Vegas (aqui) é bem sortida e tem preços para todo mundo poder comprar, a partir de um dólar. Cedês, devedês e elepês vão de dez a vinte dólares; um pouco caro para os padrões deles, mas trata-se de souvenires, mais do que de simples arquivos de mídia. Também há muita gente, física e jurídica, inscrita para incrementar seu ganha-pão. As regras são igualmente simples e directas, para não deixar sombra de dúvidas.

E o que encontramos na lista de convidados, quando clicamos no link "bands"? Encontramos uma lista de bandas convidadas, onde figura a paranaense Annie & The Malagueta Boys. É um grupo de rock'n roll vintage formado em 14 de Dezembro de 2009 por cinco jovens impetuosos e bem humorados... Sim, em Curitiba. A bela, a glamourosa, a feminina, a sedução e doçura em forma de cantora Annie, e os quatro marmanjos serelepes a saber: Rick Pacheco na guitarra, Victor Rodder no sax, Jonny Thirty no baixo acústico e Wolfman Jeffo na bateria. São amigos, o grupo começou a se formar de maneira tão espontânea quanto um parto. Diz a lenda que Tudo começou quando Victor visitou o Jalapão, caiu na conversa de um pajé e levou um colar de pimenta consigo, para Curitiba. O pajé teria lhe dito que a música era a sua missão, que deveria cumprí-la e arranjar uma beldade ruiva para cantar o que ele e os outros rapazes tocassem. Está claro que esses cinco têm a obrigação clara e inequívoca de nos divertir?

O grupo se apresenta nos redutos vintage de Curitiba e aonde mais os convidarem. Tem uma agenda bem recheada, mas ainda sem os apertos claustrophobicos de alguns conjuntos retrôs da Europa, como os alemães do The Baseballs, e dos Estados Unidos. Esperam até os americanos verem o repertório, então eles começam a fazer sucesso de verdade aqui no Brasil também.







Website do Viva Las Vegas, clicar aqui.
Myspace de Annie & The Malagueta Boys, clicar aqui.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Viver, Ver e Rever


Dica para os paulistas. O Primeiro Clube do ônibus Antigo realizará mais uma exposição anual, com o patrocínio da Mercedes-Benz, de seu acervo, para visitação pública gratuita.

A exposição será no Memorial da América Latina, dias dez e onze de Novembro, das 09h às 17h, com ambiente familiar e espaço de sobra para as crianças, até porque veículos do porte dos expostos precisam. O clube foi idealizado e veio à luz pela luta e competência de Antônio Kaio Castro, cujos frutos resultaram até na lei n° 14.145, que institui o dia da Preservação da Memória do Transportes em Ônibus, a ser comemorado, como já diz o cartaz, dia trinta de Novembro.

O que tem a ver com ser vintage? Tem a história. Os mais jovens aprenderão como era a vida nas épocas em que os ônibus e caminhões expostos saíram da linha de montagem, por conseqüência terão também a chance de raciocinar, ver bem os caminhos que levaram à degradação do transporte público. Mas não é só a parte ruim, longe disso. O evento costuma ser frreqüentado por ex-motoristas e antigos usuários dos veículos, que não fazem cerimônia em repassar sua experiência aos mais jovens, tendo os carros de época como instrumentos pedagógicos.

Alguns ônibus causarão estranheza, como os Mercedes e Chevrolets derivados dos caminhões, respectivamente dos anos cinqüenta e sessenta, uma época em que esses veículos eram brutos, sem qualquer amenidade, nem de longe lembrando a tecnologia de ponta e requintes de extremo luxo que recebem hoje, nas fábricas.

Sim, meu amigo, aquele estereótipo do caminhoneiro musculoso e cansado é real. Até o início dos anos oitenta, não havia essa moleza de direção assistida para caminhões. Até que dava para levar tranqüilo em velocidade, que para a maioria não chegava a 90km/h, mas na hora da baliza, o muque sofria! Hoje, com um dedo tu giras o volante de um extra-pesado com mais de sessenta toneladas no lombo, ou um mega ônibus rodoviários de dois pavimentos e quatro eixos, dois deles esterçantes. Nos anos setenta, um torpedinho de doze metros já era garantia de bíceps fortes.

Provavelmente uma jardineira dos anos vinte, ônibus com carroceria de madeira e laterias abertas, à moda dos bondes, estará presente, para a alegria das crianças, que têm sido o público mais receptivo do antigomobilismo. Não vamos decepcioná-las, heim!

Então, meuis queridos, se organizem, marquem na agenda e, se possível, visitem os brechós para conseguirem roupas de época, ou pelo menos copiar algumas peças, para fazerem bonito e darem brilho extra a um evento que é a realização do sonho de um brasileiro digno e perseverante. De quebra, terão dois dias de lazer sadio e tranqüilo, próprio para estreitar laços afetivos e familiares.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Vintage Festival na Inglaterra


Dica para quem tem bala na agulha e tempo disponível. De treze a quinze de Julho, em Boughton House, Nortthamptonshire, Inglaterra, acontecerá um dos mais prestigiados festivais vintage do mundo. Nos arredores do palácio que é considerado o "Versalhes Britânico", em uma propriedade paradisíaca, com muito verde, muito ar puro e muito espaço para movimentação e photographias.

O evento é completo, praticamente uma cidade vintage, com peças e gente vestida à caráter, com modas dos anos vinte aos oitenta, com ênfase das décadas de 1930 a 1960.

O foco maior, e pontapé do evento, é a música de época. Surgiu justo porque os ingleses, como eu, perceberam o que realmente ficou para trás, na passagem do tempo: a esperança. Eles sabem o quanto era difícil ter que andar quilômetros, subir vários lances de escada e esperar dias, às vezes semanas, para ter uma notícia de uma ou duas páginas, sobre um parente ou amigo. Mas tinha-se esperança de que os esforços desprendidos dariam numa sociedade menos mesquinha, mantendo a boa convivência e o ânimo da época. Demos com os burros n'água, vocês já sabem.

Well, voltando ao assunto, o festival terá dez 'departamentos', por assim dizer: música de época, vestuário, salão de beleza para caracterização, uma rua vintage para exibição e pulgas, uma seção para arte, estilo e oficinas, oficina de moda de época, desfile de beldades, veículos antigos, comes e bebes, e, não poderia deixar de ser, vintage for kids.

A história do festival é recente, mas muito bonita e marcada pela boa organização britânica. Em 2007, Wayne e Geraldine Hemingway, da Hemingway Design, conceberam o festival para celebrar a cultura britânica, e também fazer bons negócios (quem disse que diversão e trabalho são antônimos?) no decorrer do mesmo. O sucesso superou todas as expectativas e tornou-se um festival tradicional, que atrai gente de todas as partes do mundo. Hoje são cerca de quinze curadores especializados. Da Europa continental, saem caravanas com traileres, cheias de gente disposta a enfrentar os três dias de festa em família. Campismo, aliás, é outra boa tradição que o evento oxigena bastante.

A intenção maior, é celebrar o que cada época teve de melhor, porque o pior já sentimos na pele. Juntando tudo o que cada época teve de bom, em um só lugar e tempo, as pessoas que participam saem renovadas, como se tivessem tirado férias, mesmo as que foram trabalhar. é praticamente um carnaval em Julho, para os ingleses.

À excessão de alguns 'gornalistas', a imprensa é sempre favorável e aparece em peso, nos três dias do festival. A revista Style britânica chega a fazer uma edição só com o tema, para ajudar as pessoas a se ambientarem no evento, e ganhar horrores com a cultura vintage, que há muito deixou de ser moda. O comparecimento de artistas também é grande, garantindo bons momentos de tietagem à moda inglesa. Tudo pra a espontânea manifestação do jeito vintage de ser, que os ingleses trazem no sangue.

Se eu vou? Infelizmente estou sem munição. Mas sou de touro e não desisto jamais! Quando for, trago o festival para cá. Ah, se trago!



Website do Vintage Music Festival, clique aqui
Galeria de imagens e vídeos do evento, clique aqui.

Nanael Vintage está no ar!


Caríssimos leitores deste escriba excêntrico, bem-vindos ao Vintage Way of Life!

Há anos venho querendo abrir um espaço para a patota retrô e vintage deste Brasil varonil, bem como os leitores d'outras nações que sempre me prestigiam... Embora raramente comentem.

O foco deste blog é o que há de melhor dos nossos tempos de juventude, de nossos pais, avós, bisavós, trisavós, tataravós, matusaléns e cia ltda. Porque o que havia de ruim, ainda tem ecos e a imprensa escancara sem dó. Em vista do crescente número de páginas vintage de alta qualidade, que surgem a todo momento pelo mundo, decidi fazer este rascunho para quem só se expressa ou prefere se expressar em português.

O número de boas páginas a respeito cresce, a cultura vintage ganha volume no Brasil, especialmente no Paraná, e as pessoas passam a não mais ter vergonha de suar aquele traje esquisito. Esquisito para quem não sabe apreciar a beleza clássica, respeitemos e exijamos respeito, para nós é a mais pura liberdade de expressão e vida.

Começo o blog recomendando um website inglês supimpa, o The Vintage Fair, que é exactamente o que seu nome diz, um guia completo de idumentária, memorabilia, estilo de vida, publicações e, claro, roteiro de festivais vintage que acontecem onde já são tradicionais. O site é fácil de se navegar, com praticamente tudo à mão e bem organizado. A Inglaterra, por sua fleuma ainda intacta, é um país rico em eventos do gênero.

Um blog de respeito é o Glamour Splash, de onde tirei a bela imagem acima, que tem um vasto acervo de reclames (anúncios), imagens e links, especialmente no que diz respeito à moda praia. Também costuma freqüentar os festivais vintage dos Estados Unidos.

Também recomendo a Federação Brasileira de Veículos Antigos, posto que um automóvel é o resumo de sua sociedade, na época em que foi concebido. Lá há belas photographias e o calendário oficial dos principais encontros de veículos antigos no Brasil, que atraem também os mercados de pulgas, com objectos de época e boas reproduções, às vezes até gente vestida à caráter.

Que mais? Aguardem, que no próximo domingo haverá o encontro mensal interclubes de veículos antigos. Decerto que publicarei aqui o que lá tiver acontecido. Até mais.