Um blog charmoso, administrado por Aline Lacroc, com publicações de leitura fácil e rápida, até porque os textos são relativamente curtos. Sem a carga técnica que eu costumo imprimir nos meus, o que dificulta a leitura para muita gente, eu reconheço, mas é como sei escrever.
Aline foca muito mais as imagens, com comentários leves e divertidos, tanto quanto os temas escolhidos e a maneira com que os apresenta. Parece ser bem jovem.
A publicação mais recente, aliás, tem um breve e alegre comentário de cabeçalho, que convida a ver vídeos de mulheres que passaram a se vestir cotidianamente como nos anos quarenta e cinqüenta, inclusive uma dona que casa que foi gótica na adolescência. Se demoraste a ver este artigo, clique aqui e veja.
A administradora se dedica! Ela demonstra isso em cada detalhe, inclusive na organização exemplar de seu blog, com seis páginas bem organizadas e bem denominadas, evitando qualquer chance de equívocos. Uma dedicação quase maternal, que eu gostaria de poder dedicar aos meus.
Sem mais, além de um dos vídeos da postagem citada, cliquem aqui e se divirtam.
Diz o ditado, "Mais vale uma vontade do que um caminhão de abóbora". Não rima, mas ilustra muito bem a vida da jovem americana Doris Mayday. Desde os treze, quando comprou um vestido retrô cinqüentista, que é fascinada pela décda de cinqüenta, especialmente o segundo terço dela, que simplesmente rege a sua vida. A partir dos dezesseis, ela simplesmente saiu do armário e se assumiu cinqüentista em público... Um escândalo! Se dando o direito de viver como quer, Doris transformou sua própria casa em uma bolha cinqüentista, desde a decoração, rádio, televisão, mobília, até sua indumentaria, passando pela maquiagem e até mesmo o carro, um lindíssimo Bel Air conversível ano 1955. Nenhum carro incorpora melhor o apogeu dos anos dourados, do que um Bel Air.
A obsessão chega ao ponto de ela vestir sacolas plásticas, para vestir os pés no rigoroso inverno, a utilizar os sapatos de neve modernos. Prefere sentir dor, com o frio, a perder a classe. É com roupas da década que ela circula por Pasadena, na Califórnia. Seu namorado, que também é adepto do estilo de época, considera um exagero, até meio constrangedor vê-la saindo de sacola nos pés. Seus lugares preferidos, claro, são os que já existiam na época, e os estabelecimentos com decoração retrô. A moça é freqüentadora de feiras e eventos vintage, onde encontra o seu mundo fora de casa.
Como não poderia deixar de ser, as revistas especializadas também a enxergaram como a The Pin Up Magazine, aqui, para a qual fez poses e foi estampada em páginas inteiras. São coisas que ainda não temos no Brasil, não com o profissionalismo dos americanos. A obsessão pelos anos cinqüenta, diga-se de passagem, é algo muito comum entre os americanos. Foi a época em que o país parecia estar no caminho certo, e em que o americano típico, tido como um caipira metropolitano, tentou pela primeira vez, e com mais esforço, ser um povo gentil. É por isso que a estética já bastante refinada da época, lhes parece tão mais bela e está tão arraigada no subconsciente nacional.
Voltando à bela... Ao contrário da maioria, que apenas gosta e brinca de vez em quando de anos cinqüenta, ela vive a época vinte e quatro horas por dia, rejeitando em sua intimidade, praticamente qualquer conforto inexistente quando então. e ela vive bem. Colecionadora de objectos da época, ela os utiliza no seu cotidiano, normalmente, como equipamento doméstico. Um exagero, diria a maioria, mas o esmero e a naturalidade criaram um mundo autêntico. Quem viveu a época e vê Doris, a reconhece facilmente como elemento de época. Tudo em sua casa é resultado de pesquisa séria e muita paciência, algo raro em alguém tão jovem. Afinal, ela está vivendo à sua maneira, sendo ela mesma, autêntica, pagando o preço de sua autenticidade e abominando qualquer imposição da moda; vocês não adorariam que suas filhas fizessem isso? Então! A vida que leva é mais cara, mas ela mesma se viabiliza, Doris é modelo vintage. Como pode ser visto em seu ficheiro no Model Mayhem, aqui, ela se vale de seus 64kg, distribuídos em 1,73m para ser ela mesma, e ser paga para isso. E ainda pode usar sua casa como cenário. Na coluna à esquerda de sua ficha, com seus detalhes, ela deixa claro que não faz nus. As medidas podem parecer ridículas, para a apologia à anorexia que permeia a imprensa da moda, mas aspecto saudável faz parte dos padrões estéticos da época. Ainda mais para o estilo "mulher comum", que ela encarna com perfeição, como se tivesse sido congelada em 1955 e reanimada nestes anos dez. Há uma entrevista detalhada com ela, no Engaging Reality, aqui, feita depois que ela foi mostrada no programa My Crazy Obsession, em cujo auditório vestia um encantador vestido estampado, cor de rosa, e usava uma delicada rede azul no cabelo.
Uma lição nós podemos tirar, da iniciativa de Doris, é sim possível viver neste mundo sem ser falso. Ela ouviu críticas, muitas críticas, a maioria fruto de puro preconceito. Mas viver a América em sua época mais esplendorosa, e em que ao mesmo tempo começara a acordar para o mundo, com todas as dificuldades comparativas ao mundo moderno, é uma atitude de respeito consigo mesma. Acreditar e não viver, já dizia o profeta, é desonesto. Este era o espírito que movia o mundo da época.
Houve
época em que imagem em 3D era truque de óculos coloridos de cinemas, que
praticamente não existiam no Brasil. Época em que cinema levado à sério, era só
em preto e branco, cinema em cores era para anúncios comerciais ou para desenho
animado. Nessa época, a mídia era escrita ou sonora, nada além disso.
Se
aos mais jovens, que nasceram filmados pela câmera de um celular, este cenário
parece aterrador, para a época era um grande feito tecnológico. Na realidade,
muito desta época ainda persiste. Apesar de todas as ameaças, o rádio vive,
vigora e ainda prospera.
Mas,
ao contrário de hoje, até os anos sessenta ele era quase onipresente nos lares
brasileiros. Antes de ser quase que só importado, feito por mão-de-obra
semiescrava, aparelhos Admiral, Crosley, Philips, Philco, Motoradio, Cineral e outros,
se encarregavam de comunicar, informar e entreter o público. Vocês não imaginam
o espetáculo que é um Motoradio de sete faixas, ele consegue captar com som
cristalino, praticamente qualquer estação de rádio de qualquer parte do mundo;
já ouvi conversas e músicas em árabe e até japonês, em um desses. E, diga-se de passagem, a transmissão chegava cristalina como muitos sons modernos não conseguem de estações de dentro da cidade. Ainda hoje se fabrica o aparelho, vale à pena ter um.
Assim
como os computadores, o rádio nasceu valvulado. Era interessante ligar um,
porque as válvulas são como lâmpadas incandescentes, elas iluminam e esquentam
muito. Ao contrário dos rádios transistorizados, os valvulados demoram um pouco
para funcionar, porque precisam ficar quentes, igual ferro de passar roupa. No
verão ficava-se mais distante, no frio ia todo mundo para junto do rádio. Em
algumas regiões, as válvulas eram chamadas de velas; como em Goiás.
Claro
que o consumo de energia é tão grande quanto o calor gerado. Tanto que os
primeiros rádios automotivos, também valvulados e muito caros, não podiam ficar
ligados se o motor também não estivesse, sob o risco de se perder a bateria. Se
ela perder mais de um terço da carga, há o risco de nunca mais funcionar
direito. Eram acessórios opcionais dos carros mais caros, como Buick, Cadillac
e Lincoln. Mas também, na época, tamanho era documento; rádio grande, consumo grande, mas também alcance grande e som mais limpo.
Eu
me lembro desses rádios, não os automotivos, praticamente só existentes nos
Estados Unidos, mas convivi com os domésticos. Peças muitas vezes belíssimas,
que agradavam mesmo quando desligadas. Por isso mesmo havia mais cuidado estético, na hora de comprar, afinal era algo a ser apresentado às visitas, e que os donos da casa veriam facilmente todos os dias.
Por
precisarem ser bem grandes e pesados, acabavam servindo de mobília estética.
Por isso eram feitos de madeira bem trabalhada, geralmente serviço de
carpintaria, com as telas feitas de tecidos bonitos e resistentes, que ficavam
iluminadas assim que o rádio esquentava. Um espetáculo. Caro, mas um
espetáculo.
Foram
décadas para com o surgimento da transmissão digital, se conseguir igualar a
qualidade sonora de um bom rádio à válvula, embora nem sempre a qualidade se
mantenha... Lembrem-se, pelo baixo custo a qualquer custo, muitas marcas se
recusam a saber sob que condições suas encomendas são fabricadas. Não se pode
pedir que um funcionário maltratado faça um serviço perfeito.
O
ponto fraco de um rádio valvulado, é justo a fonte de sua maior virtude; as
válvulas. Por esquentarem muito, acabavam trabalhando como um fusível, que se
queima quando passa energia demais. Os mais abastados tinham estoques de
válvulas em casa, pois seus aparelhos acabavam ficando ligados o dia todo, por
tabela seus componentes duravam pouco. Mas o rádio em si, que tem bem mais
componentes do que as válvulas, é conhecido também pela sua durabilidade, que
costuma ser maior do que a de seus proprietários.
Mas
mesmo sendo relativamente caro, se comparado às porcarias feitas para não terem
conserto, o rádio de válvulas foi um democrata. Havia desde os (relativamente)
portáteis, que tinham uma só vela pequena e um autofalante miudinho, até os
armários de sala, com quatro grandes e caras válvulas de vidro ou mais, com
alto vácuo no seu interior, que corroborava para o alto preço. Mesmo os antigos
rádios transistorizados, feitos para terem conserto em caso de avaria, costumam
zombar do tempo e brindar o ouvinte com um som cristalino.
A
gloriosa e saudosa ERA DO RÁDIO foi o divisor de águas, entre o que restava do
século XIX, e o pleno século XX. Ela permitiu que qualquer povoado, nos rincões
mais distantes e esquecidos, recebesse notícias do mundo quase que em tempo
real. As ditaduras se esforçavam em censurar, não era à toa.
Foi
a época em que o racismo começou a ser mal visto pelas pessoas, mesmo as que
eram racistas, porque começou-se a descobrir que aquela voz ma-ra-vi-lho-sa,
aquelas palavras encantadoras, podiam ser de um negro ou um índio. É famoso o
caso em que cerca de setenta mocorongos da ku-kux-klan cercaram uma estação,
onde um negro apresentava um programa ao vivo, e levaram uma taca dos mais de
trezentos jovens que estavam no auditório. Eu queria muito ter uma máquina do
tempo, só para poder ver a cena.
Também
é famoso um dos maiores episódios de histeria coletiva da história recente, em 30 de Outubro de 1938. A Columbia Broadcasting Radio Network estava transmitindo a narração da novela “The War of The Worlds”, e foi
obrigada a desculpar-se. O narrador fez tudo com tamanho afã, foi tão
convincente, narrando como em boletins jornalísticos, que as pessoas realmente acreditaram que a Terra estava sendo
invadida por marcianos. Detalhes do episódio, ver aqui.
A capacidade de coesão social do rádio transformou-o
em um poderoso intermediador, a ponto de tradições terem nascido em sua função.
Uma delas, mais breve do que o desejável, foi a das Rainhas do Rádio, que teve
em Dalva de Oliveira, Marlene e Emilinha Borba suas mais gloriosas representantes.
Precisava ter voz para fazer vibrar aquele microphone rudimentar. Foi o melhor
embrião para os programas televisivos de auditório. Havia mais rivalidade entre marlenistas e emilistas, do que entre as duas.
Como os carros e toda a memorabilia, os rádios valvulados e os primeiros transistorizados, ficaram por muitos anos servindo apenas de ferro-velho. Os teimosos que insistiam em manter os seus, encontravam diviculdades para mantê-los, mas não se desfizeram e chegaram a acreditar, cada um, que eram os únicos no mundo a ter um daqueles. Mas havia muita gente que guardava os aparelhos, especialmente donos de velhas oficinas, onde os antigos donos deixavam os rádios, e de onde nunca mais buscavam. Vale a regra da sapataria: Se não buscar a encomenda até trinta dias depois do conserto, a peça será vendida para cobrir os custos. Só que quase ninguém queria saber daqueles rádios velhos, ainda mais com os novos, leves, econômicos e resistentes rádios transistor chegando às lojas. A obsolência foi rápida, a partir dos anos sessenta, mas a indústria de reposição e os teimosos, conseguiram preservar os rádios valvulados. O advento do rádio-relógio, embora no começo parecesse um capricho, já que já existiam despertadores, acabou por manter a cabeça do rádio acima da água, durante o tempestuoso ataque da televisão. E acordar com boa música, convenhamos, é muito melhor do que com uma campainha estridente, que incomodará a casa inteira.
Eis que o próprio algoz, torna-se aliado e, presto! Donos de rádios antigos começam a se conhecer em feiras de antiguidades, depois em notas de jornais, depois em curtas reportagens televisivas, mas a cousa explodiu mesmo com a internet. Qualquer um pode encontrar um modelo e ano que lhe agrade e caiba no seu bolso, tomando os devidos cuidados, é claro. Hoje, com o grosso do serviço feito, é fácil encontrar rádios antigos, especialmente nas feiras vintage e de antiguidades que proliferam pelo mundo. Também temos o fácil e perigoso negócio por sites de classificados, como o Mercado Livre. A maioria dos vendedores é honesta, mas entre estes, os malandros sabem se camuflar muito bem.
Dos antigos e charmosos rádios em estilo capelinha feitos de madeira entalhada, até os refinados de baquelite nacarada, dos anos cinqüenta e sessenta, a regra principal é: SÓ COMPRE SE FUNCIONAR NA SUA FRENTE. O que está nas photographias, pode muito bem ser outro producto de outro vendedor, ou até parde de um acervo que não está à venda. Só compre se puder ver, pegar, analisar, ouvir todas as estações que o aparelho puder receber. Um rádio valvulado de madeira, grande e em perfeitas condições, como o Zenith 4v31 dos anos trinta, da primeira ilustração, encosta facilmente nos dois mil reais. É o caso em que compensa mandar um conhecido que more perto is ver, ou tu mesmo viajar até lá. Na volta, não seja muquirana, pague extra por um bom seguro e excesso de bagagem, para trazer o aparelho de volta consigo. Há, por exemplo, o caso de relíquias que justificam o nome, como o Crosley Giant, da ilustração, que em perfeitas condições, não tem preço, vale literalmente uma pequena fortuna. Não se transporta um desses em um caminhão qualquer, ainda menos nas nossas estradas.
Desconfie e fuja de preços baixos, porque um rádio antigo raramente é barato, se não for roubado ou não estiver em más condições. Quanto à manutenção, embora seja difícil, é perfeitamente exeqüível, pois ainda se fabricam válvulas, basta ter a mesma paciência que se deve ter para escolher e negociar um rádio, que vai valorizar de sobremaneira qualquer decoração, seja doméstica ou institucional. Para quem quer apenas uma bela peça em estilo antigo, há muito que se fabricam aparelhos retrôs, que retratam todo o século XX. A maioria conta até com entrada USB, para pen-drive. Finalmente, para quem estiver em Goiânia, recomendo a rádio que eu ouço todos os dias, a Executiva FM, 92,7 mHz. Quem gosta do que eu escrevo, vai gostar dela, Só se pede paciência, porque a distribuição eleitoreira de concessões, tornou muito difícil a sintonia manual, mas compensa, ah, como compensa!
NZ Museums, clique aqui. The Digital Deli, clique aqui. Radio Show Case, clique aqui. Rádio Executiva FM, clique aqui. Joan Crowford no rádio, clique aqui. WLW Radio And Television, clique aqui. A História do Rádio Joeense, clique aqui.
P.S: Desculpem pelos erros, já foram corrigidos. E o tópico ainda tem o que render, será retomado em tempo oportuno.
Caríssimos, quase dois meses depois, volto a publicar algo que vale à pena. Estou com problemas pessoais, dinheirais e doençais, motivo pelo qual tive, e ainda tenho, dificuldades em honrar com meus compromissos internauticos, neste e nos outros blogs. Tem blog de amigos, que não vejo há mais de um ano, e não encontro mais o link... Nem lembro mais os nomes... Vergonha... Bem, para não ser perda total, vou contar alguns motivos pelos quais as pessoas tanto se encantam pelo passado. Não existe um motivo único e padrão, da mesma forma como duas pessoas que pleiteiem o mesmíssimo fim, não o fazem pelo mesmíssimo motivo, e por isso podem se desentender, quando finalmente o alcançam. O mais divulgado é, claro, a douração da pílula, que faz as pessoas acreditarem que tudo era melhor, que o mundo era perfeito, que tudo estava no seu devido lugar, que no Egito tínhamos pão em abundância e nos sentávamos à mesa, com panelas cheias de carne, mas você, Moisés, nos trouxe para morrermos de fome e sede neste deserto!
Infelizmente não é verdade, é só insegurança, na maioria absoluta dos casos, seja lá qual for o motivo da dita cuja; isto aqui não é um blog de psicoterapia, então vamos adiante. Se o passado tivesse sido tão próximo da perfeição, ainda estaríamos nele. Não parados no tempo, é claro, mas quase tudo de então ainda vigoraria, pois estariam todos satisfeitos. Mas a maioria das cousas, até a eclosão da cultura retrô-vintage, caiu no esquecimento por décadas, a ponto de um Landau já ter sido trocado por geladeira usada... Hoje um em perfeito estado, não sai por menos de setenta mil reais nem com a bênção papal. O problema vem, quando o apêgo se torna tão tenaz, que as pessoas se recusam a ver o que estava errado, o que melhorou e o que pode ser encaixado de bom, daquelas épocas, assim passando a atacar tudo o que se faz de novo, e culpando o novo por tudo o que há de ruim, mesmo por problemas milenares, que acabam se esquecendo que são pre existentes. Quase sempre, culpando as roupas femininas por todas as mazelas da humanidade... Só Freud mesmo!
Nos casos mais amenos, muitas pessoas se apegam à memória de infância, quando geralmente não se tem preocupação nenhuma, quando tudo está de bom tamanho, quando qualquer cousa serve para distrair e divertir, quando uma fruta ou um saquinho de balas é uma bela recompensa por um bom comportamento. Os pais tomando a frente, o dia mais curto e confortável, já que criança dorme mais mesmo, os productos para o público infantil naturalmente mais coloridos e simpáticos, et cétera. Uma cantora passa, então, a ser referência de talento e qualidade musical, mesmo que tenha sido apenas mediana, em sua época. Vamos ser francos, com os adultos cuidando de toda a parte chata e perigosa da vida, para a maioria era mesmo um paraíso. Aqui, também se corre o risco de tornar algo bom, altamente venenoso, com iminente intoxicação cronológica, cujos efeitos colateriais variam de indivíduo para indivíduo. Não tenho saudades da minha infância, então não é o meu caso.
Há o caso mais comum, de gente que simplesmente vê muito mais graça nas cousas de determinada época, do que nas das recentes. Até gostam de Artic Monkeys, mas dançam mesmo é ao som de The Zombies. Gostam de ver que o carro tem ABS, air bag, ARS, trio eléctrico, tela touch screen, mas não negam as qualidades e morrem de amores pelo Landau. É o caso da maioria dos antigomobilistas, das turmas que aderem à moda vintage, que reaqueceram o mercado das pin-ups clássicas e suas releituras, tiraram do esquecimento alguns intérpretes d'outrora, e pessoas que simplesmente se encontram no estilo vintage. Em parte, é o meu caso. Há também o caso de pessoas que simplesmente acham legal. Olham aquelas roupas anos cinqüenta ou sessenta, vêem cartazes de época e gostam, mas não para incorporar à vida cotidiana, embora acabem se pegando com arranjos e adaptações retrô, sem querer, mas também sem neuras. Quando se dão conta, há um aparelho de som imitando madeira na cômoda, ou um vestidinho minimalista com lenço para cabelos na mesma cor. Em parte, também é o meu caso, mas eu já faço isso conscientemente. Há ainda aqueles que, quase sempre inconscientemente, vêem no estudo de documentos, de vídeos, propagandas, filmes, músicas, enfim, aqueles que vêem no conhecimento pleno das décadas passadas, um modo de terem vivido lá e, de certa forma, estarem vivos desde então. É uma forma virtual de prolongar a vida, já que a sobrevida não pode ser esticada para trás, e muitas vezes nem para frente. Uma pessoa com razoável conhecimento do cotidiano do século XX, desde a bélle époque, pode se sentir centenário em um corpo de quarenta anos, por exemplo. Ver um vídeo de boa qualidade, ainda mais se for em cores, e há muitos dispóníveis pela internet, te dá a nítida impresão de que tudo aquilo aconteceu ontem, ou mesmo hoje cedo. Dá até para estranhar, quando se estica o pescoço para fora da janela, e se vê aquele desefile de carrinhos iquaizinhos e quase nas mesmas cores. Well, se eu já era adulto em 1947, então já estou beirando os cem anos de idade, se já não ultrapassei. Por isso mesmo, sempre aconselho aos que me questionam, a não se aterem à sua época preferida, sempre recuar uns anos mais e ver no que deu tudo aquilo, de então até hoje. Esta atitude, dá um realismo maior na ilusão de se estar vivo há mais tempo, e ainda alimenta o senso crítico com o desenrolar da história. Um cidadão da época, não sabia de tudo o que acontecia, se muito, estava bem informado com noticiários e informações orais, então é totalmente desnecessário tornar-se um PhD na São Paulo dos anos quarenta, por exemplo. É desejável, mas acessório. Só jamais se atenha a meia dúzia de fontes, especialmente se forem de autores com a mesma linha de pensamento. Eu sei pouco, mas também tenho essa impressão de longevidade retroativa, então também é em parte o meu caso.
O único ponto pacífico, é que quem realmente tem o gene vintage incorporado aos seus cromossomos, não se importa com o estilo do outro... ou com a falta de estilo do outro. Quem é, o é porque se encontrou naquele cenário vivo d'outrora. Gente que freqüenta feiras vintage, não reclama tanto das roupas folgadonas dos rappers, pois se encontrou e não precisa que o outro vá aderir ao seu jeito de viver. É o caso dos steanpunks, que têm tudo para serem filhinhos mimados de classe média alta e alta, quebrando boates e espancando mendigos, mas têm presenteado o mundo com releituras e adaptações absolutamente belíssimas, como os computadores à bélle époque, quase sempre emoldurados com latão muito bem polido. São uma cultura quase silente, mas que tem crescido e gerado bons negócios, além de se consolidar com certa maturidade. Deixo, para terminar o conselho dos sábio da antiguidade: Amar não é exigir reciprocidade, isso é cobrança por uma transação de troca. Amar é, na acepção da palavra, se doar. Quem ama, liberta. Deixe o passado livre, não tente obrigá-lo a voltar aos dias correntes, liberte-o e ele lhe será um amigo fiel.
Hoje são sinônimos de adorno para monitores, mas o papel de parede residencial ainda vive, ao contrário do que muitos pensam, como a caneta-tinteiro e o relógio à corda. Tiveram seu maior impulso na idade moderna, especialmente França e Inglaterra. Por que lá? No caso dos franceses, eles são muito afeitos ao refinamento, ainda hoje, mesmo quando são grossos com alguém. O papel de parede é uma forma relativamente rápida e barata de diferenciar ambientes, permitindo uma delicadeza que seria frágil e cara demais se fossem comprar objectos afins, dando a cada um a identidade que melhor lhe couber, e se adaptar à gente da casa, com cores e estampas diferenciadas. No caso dos ingleses, a fleuma tipica e vigorosa como nunca, até hoje, ainda mantém vivo o gosto pelas boas tradições e pela identidade familiar, uma conseqüência de ser um dos países com maior identidade nobiliárquica do mundo. Como as casinhas inglesas têm uma identidade nacional forte, eles capricham na diferenciação do interior. Até a segunda guerra, predominavam as cores vibrantes, mas em tons sóbrios e com desenhos clássicos. Mas foram, claro, sempre eles, os americanos que deram ao papel de parede a dimensão que ele ganhou, e mantém nos dias vigentes. Os filmes clássicos deram ao restante do mundo, em especial ao terceiro mundo, de d'outra forma jamais conheceria o producto, o conhecimento de um revestimento interno prático, fácil de manter e fácil de trocar. Se há uma conseqüência positiva na histeria consumista dos anos cinqüenta, foi o aprimoramento das técnicas e dos materiais.
No começo era só limpar a parede, passar cola e ter todo o cuidado para que as lâminas ficassem devidamente alinhadas. Algumas horas de espera, para a cola secar, e já se poderia encostar sem medo. Os desenhos animados exageravam, mas realmente era comum o aplicador leigo se atrapalhar todo e ser empapelado, em vez de empapelar a parede. Se existisse youtube na época, vocês veriam hoje uma série se vídeo-cassetadas de papéis que se voltaram contra seu aplicador. Gente empapelada na parede já é soltar muito a imaginação, mas não é impossível. As desvantagens de resistência em relação às melhores tintas, eram muito diluídas pelo baixo custo de aquisição e instalação, por o papel não começar a descascar por causa de arranhões, e pelo facto de as artes das crianças serem tão danosas para um quanto para a outra. Acabava saindo mais cômodo e barato substituir uma lâmina de papel, do que contractar um pintor profissional e isolar o cômodo até tudo secar. Quase sempre, um aplicador profissional empapela um cômodo grande em um dia, sem estragar ou sujar absolutamente nada. Às vezes acontece de o comprador mesmo conseguir fazer o serviço. O papel de parede permite mudar a decoração do ambiente, conforme o tempo passa e as crianças vão crescendo, o que até aumenta o interesse da prole pela casa e pela família, já que, afinal de contas, as cousas não ficam iguais ao que sempre foram. Crianças, como os gatos, precisam ter sua curiosidade atiçada, sempre. As desvantagens são as velhas conhecidas dos papéis. maior sensibilidade à umidade, aos fungos, e ao fogo. Havendo ainda o risco de aquele padrão lindo, comprado após uma luta naquela liquidação, sair de linha a qualquer momento. O risco é tão maior quanto mais diferente for a padronagem. Mas um papel de parede bem escolhido, sem ir directo para a armadilha do mais barato, sempre deu ao ambiente um ar mais sofisticado, tornando até a permanência familiar na casa, mais agradável. Com decorações diferentes, a casa acabava parecendo ser maior do que realmente era.
Vocês podem imaginar que não é com papel de embrulhar pão que fazem o artigo. Assim como aço, vidro e plásticos, há milhares de receitas para o papel, algumas delas são bem resistentes a manchas, productos de limpeza, temperos e urina de crianças e animais. São as receitas adequadas ao papel de parede.
Até meados dos anos cinqüenta, predominavam as estampas florais e listras verticais, para fazerem as casas parecerem maiores e mais amplas, além de dar a impressão de ser um lugar tranqüilo para se refugiar do mundo. Depois vieram os padrões geométricos dos anos sessenta, que foram nutridos pela corrida espacial. Todo mundo queria morar no futuro, de preferência com os baixos custos de uma aparência moderna, às custas de empapelar paredes. Nos anos setenta, a psicodelia ainda tinha força de sobra e ajudou a vender motivos fractais, além de padrões imitando azulejos estilizados, que acabaram migrando para sofás e roupas de cama. Houve, e voltou recentemente com photographias, linhas de texturas que decoravam portas de garagens, dando ao cidadão médio a impressão de estar ascendendo, o que ele tanto desejava. Afinal, entrar com um Fairline 500 em uma garagem personalizada, com a porta dando a impressão de que se abria o portão de uma mansão, fazia a labuta valer à pena. É uma ilusão? Sim, é uma ilusão. Mas ninguém deixa de tomar analgésicos por saber que as causas da dor permanecem lá.
Nos anos setenta e oitenta, em Goiás pelo menos, tornou-se moda usar rolinhos de pintura com desenhos de borracha, como se fossem carimbos rolantes, para imitar o papel de parede. Motivo? No Brasil, como com quase tudo, as cousas demoram demais a baratear, e a falta de informação da população é tão aguda quanto crônica. Muita gente fica espantada em saber que papéis de parede ainda são feitos e vendem bem! Hoje em dia eles se tornaram tão resistentes a quase tudo, sendo alguns feitos de PVC, que não propaga chama, que podem facilmente decorar também o exterior. Claro que a durabilidade cai e os cuidados são redobrados, mas é algo que exigiria um trabalho artístico caríssimo e muito demorado, se fosse pintar a parede com o que o papel permite. Com a tecnologia da plotagem já tão disseminada, fica muito fácil criar a própria padronagem e mandar imprimir, guardando o original em um pendrive. Uma derivação é o papel photográphico que, como diz o nome, coloca imagens em vez de padrões, na parede. É uma faca de dois gumes mais afiada do que o tradicional, pois leva ao pé da letra o gosto estético do comprador, que sabemos que muda muito com os anos. É diferente de uma padronagem, que pode refletir um gosto sazonal, mas ainda assim agradar pelo resto da vida. Imaginem uma adolescente colocar a imagem daquele grupinho mercadológico na parede, e olhar de novo cinco anos depois.
A conservação, ontem e hoje, não muda muito. Limpar com pano úmido e sabão neutro, não usar productos específicos de limpeza, muito menos com alvejantes. Encerar com cera incolor, ajuda, mas geralmente é um cuidado suplementar. Ainda há os não laváveis, muito baratos, que eu só recomendo para decorar estandes de uma feira, por exemplo, onde a durabilidade não é quesito fundamental. Aos que se interessaram, mas não sabem onde raios arranjar um papel de parede, já que nenhum amigo tem em casa, deixo alguns links mais relevantes. Quase tudo com alta qualidade é importado, em parte por causa da demanda ainda baixa. E deixo o link do blog Favorite Thinks aqui. Nacionais: Revestic, clicar aqui. Casarama, clicar aqui. Bombinex, clicar aqui. Ciça Braga, clicar aqui. Tok & Stok, clicar aqui. Luxo Decorações, clicar aqui. Decore com Papel, clicar aqui. Casa do Papel de Parede, clicar aqui. Tudo em Papel de Parede, clicar aqui. Mundo do Papel de Parede, clicar aqui. Decor Full Papel de Parede, clicar aqui.
Ambientes amplos e conjugados. A idéia era muito boa, se valer dos avanços tecnológicos e das casas cada vez mais bem equipadas, para que a família pudesse se dedicar a si mesma. Como sabemos, infelizmente não vingou por muitos anos, como se esperava, mas a necessidade de praticidade tratou de devolver a cabeça ao pescoço. Os anos cinqüenta começavam a realizar um sonho arquitetônico interrompido pela guerra. Novos materiais, a proliferação da madeira laminada com cores, texturas e acabamentos diversos, plásticos realmente resistentes e práticos, desenhos leves e "espaciais" como o pé-palito, enfim, as novidades eram como entorpecentes para os arquitetos como hoje o são para os designers de interiores. A ousadia maior era adequar a casa ao terreno, não só o contrário, barateando e dando mais segurança à construção, uma vez que se mexia menos na estrutura do solo.
Os arquitetos dos anos quarenta ao sessenta, percebendo a sede de espaço e liberdade da classe média crescente, inclusive no Brasil, começou a rever a tendência metropolitana dos apartamentos minúsculos (coitados, nem imaginavam o acinte que se tornariam a partir dos anos oitenta) dos centros, próprios para solteiros, começaram a imaginar e desenhar casas com poucos ambientes, mas sempre amplos e cercados pela natureza, como se começou a pensar depois da grande depressão, mas sem técnicas e materiais então disponíveis. Os carros, cada vez mais velozes, serviços de transporte público, lá fora, eficientes e vias expressas, também lá fora, próprias para deslocamentos rápidos em longas distâncias, alimentaram o êxodo para os subúrbios, onde antes estavam fazendas falidas e chácaras. Janelas amplas de vidro temperado permitiam ventilação perfeita no verão, e isolamento total no rigoroso inverno setentrional. Começava-se a perceber a importância de integração homem-natureza, sem a neurose que temos hoje. Uma idéia colateral era transformar o cidadão comum em um defensor do lugar onde vivia, no caso, a mata nos arredores do bairro.
Claro que então já não se imaginavam famílias gigantescas, capazes de fundar uma aldeia, mas ter dois ou três filhos ainda era o sonho da maioria dos casais. Três ou quatro quartos de tamanho suficiente para cada um, deixando o restante do espaço da casa para a convivência, com poucas paredes, ou até mesmo meias-paredes separando os ambientes, não raro com acabamentos diferenciados entre si. Hoje já é possível que as paredes sejam móveis, recolhíveis e até desapareçam por completo. A garagem, por exemplo, era pensada para que esposa e marido tivessem cada um seu próprio carro, até por questão de necessidade. Além de (como ainda hoje) ser quem mais cuida da prole, a esposa começava a trabalhar fora e ganhar quase tanto, às vezes mais do que o marido, quando os moleques já podiam se cuidar sozinhos, é claro. Geralmente ele ficava com o sedan e ela com a wagon, útil quando seu trabalho era de vendedora de porta-em-porta. O resultado era uma casa de tamanho médio, com conforto e facilidade de circulação de uma casa grande. As grandes, nestes moldes, pouco deviam às mansões. Outra vantagem inegável é a facilidade para manter e limpar os ambientes. Como vocês sabem, lá fora uma empregada não é para classe média, elas ganham relativamente bem, então toca à família cuidar de sua casa. Classe média de nariz empinado, leitori, é exclusividade de países subdesenvolvidos com fracas aspirações ao desenvolvimento, como o nosso. Com aspiradores de pó, enceradeiras, ceras sintéticas e tudo mais, o serviço ficou mais simples e desencorajava menos as crianças. Estão pensando o quê? Eu conheci e usei aqueles esfregões de ferro fundido, se machucar ou danificar os móveis era um risco real e iminente, a questão não era "se", mas "quando" o acidente aconteceria. O que dá para se fazer hoje? Bem, nosso país está começando a descobrir que arquitetos, decoradores e engenheiros não podem ser substituídos pelo pedreiro. Os quatro têm suas devidas funções, com a diferença que o engenheiro entrega o que o cliente compra, não o que ele quer que o cliente compre. Até para poupar material de construção, consulte antes um arquiteto, para evitar que sua casa receba incidência solar durante o dia inteiro... como onde eu moro... por enquanto. Ele lê, estuda, se actualiza, ou fica fora do mercado, então tem na ponta da língua as novidades e técnicas mais recentes e aperfeiçoadas. Se disseres que queres um ambiente integrado dentro e fora da casa, ele vai quase ter um orgasmo.
Dificilmente dará para ter um heliporto, como muito se imaginava para o século corrente, até porque helicópteros ainda são muito caros e poucos sabem pilotar o monstrengo. Em todo caso, se estiveres disposto a arcar com custos e burocracia, uma lage reforçada, com possibilidade de se tornar um ambiente superior para eventos e festas, pode ser inclusa no projecto. O melhor, na fase do projecto, de haver poucas paredes, é a liberdade criativa, que permite deixar a casa do jeito que o cliente deseja, por mais tradicional que seja o estilo. Sim, a verba disponibilizada ditará o resultado final, mas sob a batuta de alguém que enxerga a vida da família no bairro, e não somente os tijolos do alicerce, teu suado dinheirinho renderá e durará bem mais. Hoje temos a vantagem da existência de materiais com que os arquitetos da época sonhavam, para poderem construir vãos gigantescos e sacadas enormes, sem o risco de desabamento. É possível conjugar concreto, metais, vidros e plásticos sem medo de a dilatação térmica transformar o sonho da casa arrojada em um pesadelo de infiltrações. Podemos voltar a ousar, ainda que sem abrir mão de um estilo enxamel.
Um fórum de arquitetura da época, clicar aqui. Googie Architeture Online, com um belo acervo, clicar aqui.
Paraná é o maior celeiro vintage do Brasil, especialmente Curitiba. Podem dizer que seus cidadãos são metidos a besta, que pensam que estão em Londres, que são mal educados, mas a cidade tem qualidades e elas merecem ser destacadas. A que nos interessa aqui e agora, é a força da comunidade retrô e vintage curitibana.
Não basta fazer parecido, o curitibano vintage gosta de fazer bem feito, e faz. Existe um festival anual chamado Viva Las Vegas, que se dará de 28 a 31 Março de 2013. O mote do dito cujo é a cultura vintage e retrô, incluindo a música. Alguns meses antes do festival seguinte, eles convidam as melhores bandas do gênero do mundo, para participarem do festival. Como todo americano, se intitulam o maior festival de rock dos anos cinqüenta do mundo, o que deve ser verdade. As regras são simples e rígidas, para evitar alguém alegar que não entendeu, bem como para manter o nível e a organização do festival, afinal as pessoas vão lá para fugir dos problemas, não para conseguir mais, não do tipo que não dá retorno.
Serão quatro dias de moda, música, memorabilia, antigomobilismo, apresentações burlescas, pin-ups e tudo mais. Só o melhor em dezenas de eventos paralelos que, francamente, fazem ser parcos esses quatro míseros dias em Las Vegas. Serão cerca de sessenta músicos/bandas vintage na próxima edição, sendo cerca de uma dezena de outros países. O vintage fashion show, por exemplo, que contará com profissionais gabaritados, que vivem do que vão mostrar e moram em um país que recebe tudo o que há de melhor no mundo, além de um arquivo nacional capaz de transformar o costureiro mais incompetente em um bom copiador de moda retrô. Em suma, os anos quarenta e cinqüenta estarão vivos, com o que tinham de melhor, nesse belo evento... Sem as discriminações estúpidas da época, só o que havia de bom mesmo. A única crítica é mesmo o tempo, quatro dias não dão para quem quer conhecer tudo o que um festival de tamanho porte e sortimento oferece, porque tudo em Las Vegas é grandioso e sortido, inclusive as lições de sucesso que cairiam certinho no sertão do nosso nordeste. Acredito que uma semana e meia estaria de bom tamanho.
Negócios, claro que sim, o que seria de um evento tipicamente americano sem bons negócios? A própria lojinha do website do Viva Las Vegas (aqui) é bem sortida e tem preços para todo mundo poder comprar, a partir de um dólar. Cedês, devedês e elepês vão de dez a vinte dólares; um pouco caro para os padrões deles, mas trata-se de souvenires, mais do que de simples arquivos de mídia. Também há muita gente, física e jurídica, inscrita para incrementar seu ganha-pão. As regras são igualmente simples e directas, para não deixar sombra de dúvidas.
E o que encontramos na lista de convidados, quando clicamos no link "bands"? Encontramos uma lista de bandas convidadas, onde figura a paranaense Annie & The Malagueta Boys. É um grupo de rock'n roll vintage formado em 14 de Dezembro de 2009 por cinco jovens impetuosos e bem humorados... Sim, em Curitiba. A bela, a glamourosa, a feminina, a sedução e doçura em forma de cantora Annie, e os quatro marmanjos serelepes a saber: Rick Pacheco na guitarra, Victor Rodder no sax, Jonny Thirty no baixo acústico e Wolfman Jeffo na bateria. São amigos, o grupo começou a se formar de maneira tão espontânea quanto um parto. Diz a lenda que Tudo começou quando Victor visitou o Jalapão, caiu na conversa de um pajé e levou um colar de pimenta consigo, para Curitiba. O pajé teria lhe dito que a música era a sua missão, que deveria cumprí-la e arranjar uma beldade ruiva para cantar o que ele e os outros rapazes tocassem. Está claro que esses cinco têm a obrigação clara e inequívoca de nos divertir?
O grupo se apresenta nos redutos vintage de Curitiba e aonde mais os convidarem. Tem uma agenda bem recheada, mas ainda sem os apertos claustrophobicos de alguns conjuntos retrôs da Europa, como os alemães do The Baseballs, e dos Estados Unidos. Esperam até os americanos verem o repertório, então eles começam a fazer sucesso de verdade aqui no Brasil também.