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domingo, 23 de outubro de 2016

Uma festa anos setenta

    Ontem foi dia de embalos de sábado no horário de verão; a noite só chegou por volta das 20h. O evento temático aconteceu novamente no parceiro Luiz Café Conceito, que não só cedeu o espaço e a música, como colocou todo o seu pessoal vestido a caráter, com os figurinos abrangendo de 1969 até 1979. Não bastasse o cenário bucólico retrô do café, eles simplesmente entraram na idéia de corpo e alma.

    O início foi devagar, até as 18h pouca gente apareceu, mas isso já era esperado. O dia estava, como hoje, quente e abafado, agravado pelo horário de verão, que prolongou a agonia de sermos cozidos vivos. Mas vejam só, gente que deu bolo nas últimas vezes, apareceu! Tivemos um problema com feriado prolongado e vários eventos simultâneos pela cidade, muitos já tinham se comprometido com eles. A farra de periquitos, maritacas, araras e algumas garças, ajudou a passar o tempo e complementou as conversas.

    O que atenuava o calor, enquanto falávamos da onda estúpida de edifícios de fachada espelhada, era justamente a fachada retrô, com revestimento e deck de madeira, tudo com espaço para o ar circular. O tempo estava quente, mas poderia ser pior. Ser retrô é ter bom senso, mesmo com os exageros.

    Mesmo assim havia mais gente no lado de dentro, refrigerado, conversando e consumindo lá mesmo a esperar pelo momento de sair sem que o sol tostasse suas peles. Suar e estragar o figurino era um temor grave o suficiente, preferiram não arriscar e usufruir do ambiente rústico e sofisticado até poderem sair.

    O bom foi ver que estavam todos absolutamente à vontade em seus figurinos, como se aquela fosse sua roupa cotidiana. Não preciso dizer que eles ficavam melhor caracterizados de anos setenta, pelo menos o frescor das roupas da época e a personalidade própria estavam escancaradas. Não era encenação, estavam realmente bem e à vontade naquelas roupas. Deveriam adoptar o visual para uso cotidiano. Todo mundo deveria viver do seu jeito e exigir respeito.

    Conforme o dia findava e o calor cedia, o lugar começou a encher, alguns com trajes setentistas, especialmente as moças. Os rapazes estavam muito, mas muito tímidos! Um Opala Comodoro coupé, um Landau, uma Harley Davidson e uma motocicleta BMW dos anos cinqüenta ajudaram a formar o clima.

    Havia uma mesinha com um telephone de baquelite preta e uma vitrola Philips portátil, ao redor deles alguns jovens se perguntando o que seria aquilo e nós, vintage pela história que trazemos, explicamos que nem sempre se pôde carregar milhares de músicas em um dispositivo do tamanho de uma unha... Ele nem existiam nas cabeças dos autores de ficção científica! Mas também não havia o rito de tirar a agulha, virar o disco e recolocar a agulha, que por banal que pareça, faz a pessoa se envolver no que está fazendo e usufruir melhor do que ouve.

    Uma vez a temperatura amena e o clima agradável, o café se encheu rapidamente, parecia brotar clientes do chão, inclusive alguns que pareciam não saber da empreitada em andamento, vendo-se servidos por hippies da era psicodélica e pagando a uma caixa que aprecia ter saído do seriado As Panteras; Foi um bônus para suas noites. E veio a hora do som, só com músicas dançantes, começando com Tina Charles. E veio a hora de cumprir com minha promessa, deixar a timidez de lado e ir dançar. Qual foi a minha surpresa diante da timidez generalizada! De início alguns até tentaram, eu chamava as pessoas, mas logo me vi sozinho na pista. Bem, fiz minha parte, da próxima vez vou cobrar a participação.

    O ambiente discoteque não era aquela cafonice ensurdecedora que é moda nos sons automotivos, as pessoas conseguiam conversar sem dificuldades, alguns se lembrando da época e alguns se perguntando que bandas seriam aquelas, enquanto flocos de luz colorida percorriam a área externa e o globo de vidro cintilava. Os comensais estavam contentes, alguns comentaram minha performance, mas ainda ficaram devendo a participação... E eu sou muito tímido! Sério! Os galãs conquistadores é que fizeram cosplay de dois de paus!

    Foi tudo muito simples, tocado quase que exclusivamente com a vontade dos envolvidos de fazer uma boa noite, com a estrutura já existente incrementada por jogo de luzes e uma caixa de som, mas valeu à pena! Valeu tanto que temos mais em mente, Aguardem! E por favor, desta vez não me deixem dançando sozinho!

Para verem o álbum que fiz, é só clicarem aqui.

sábado, 23 de julho de 2016

Um Cafezinho retrô



   Eu sou um ermitão, confesso que só saio para trabalhar e pagar contas. Quase nunca saio a lazer e, mesmo quando o faço, levo muito a sério a saída. Por isso não publico coisas como bares e lanchonetes retrô em Goiânia, até porque são bem poucas as de que ouvi falar, mas tentarei mudar um pouco isso.


    Começo pela apresentação do Luiz Café Conceito. Voltava de um encontro livre de rat e hot rod com meu amigo Sérgio, em seu indefectível Escort XR3 conversível, com a capota baixa. Ele decidiu me mostrar onde será o encontro de bicicletas antigas e customizadas que se dará na semana que vem, no citado café.

    
    Logo na entrada há uma bicicleta customizada em estilo retrô low rider, toda cobreada, com o falso tanque estilizado como nas dos anos 1950, só que anguloso e acompanhando o alongamento da bicicleta. Por si só já chama atenção para o café. E por chamar atenção, precisa ficar acorrentada... Coisas de quem sabe em que país mora.


    Por dentro é tudo muito autêntico, de uma rusticidade refinada, como na antiga aristocracia rural inglesa. A madeira aparente, a simplicidade dos elementos, a despretensão de parecer um lugar chique, finda por tornar o ambiente chique. Há uma música ambiente muito relaxante.


    O mobiliário inclui um piano de armário, que cliquei tentando não incomodar o cliente que lia concentrado o seu livro, e parecia estar imerso mundo que lia no momento. Decerto que o ambiente oferecido, cobrado com justiça, corroborou para esse imersão literária.


    Atrás dele, em uma photo que saiu borrada, podemos identificar um sofá. Não um sofá de design, algo raro ou de materiais exóticos. Um simples sofá desses que encontrávamos muito nas casas de classe média baixa, até meados dos anos 1980. Mas que utilidade teria um sofá em um café, perguntaria um leitor que acaba de descobrir o universo vintage? Serve para duas pessoas conversarem com mais intimidade, enquanto saboreiam seu café, sentindo-se como na casa da mamãe.


    Um relógio na parede contraria o que se entende por negócio moderno, ele funciona e marca as horas certas! Há duas estantes que o ladeiam, fixadas na parede, repletas de objectos que remetem realmente àquelas casinhas de adobe de nossas avós, como no tempo em que a rua em que nasci era passada de boiada...


    Isso pode causar estranheza porque, por este relógio, as pessoas sabem se está muito tarde e podem decidir não consumir mais, para não se atrasarem para seja lá o que for. Como vêem nas photos, é um relógio relativamente grande e chamativo. Sua presença é muito valorizada pelos enfeites das estantes rústicas entre as quais está. Lembremos que é um café, não um shopping center. Para quem preferir, há um ambiente externo, este contava com vários clientes no momento.

     Uma dica que aprendi nesta noite, com o rapaz que nos atendeu, é a ingestão de um pouco de  água com gás, antes de tomar o café. Ela limpa o paladar e aumenta o sabor da bebida, aumentando também o prazer de um apreciador. Eu não tomo café há anos, quando precisei tomar novamente um gole, para não fazer desfeita, passei mal, então confiei nas reações do Sérgio.

    Provavelmente por isso não está sempre cheio. Embora eu tenha sentido falta de alguns elementos que a concorrência saberá explorar, como salgados, mesmo que mais refinados e justificadamente mais caros, o estabelecimento merece uma visita, porque o cardápio vai bem além do trivial cafezinho expresso. Mas isso é para quando tiver mais tempo, com uma boa companhia, de preferência.

    O que pode acontecer logo, na semana que vem, quando teremos o encontro das bicicletas, para um público mais selecto e aberto aos prazeres mais refinados, que esta cidade não trata com o respeito merecido. Ser rústico não significa ser grosso, certo? Certo. Agora, vocês devem estar perguntando se aquilo, naquela photo vertical borrada é um cabide de chapéus. Sim, é. Eu uso chapéu no dia a dia, então vocês podem deduzir o quanto gostei do ambiente.


    O evento será no próximo sábado, dia 30 de Julho, à tarde. Para quem estiver em Goiânia na ocasião, o Luiz Café Conceito fica na Rua 32A, no Setor Aeroporto, quase esquina com a 9A. Eventos com bicicletas antigas são sempre um bom motivo para sair de casa e voltar com muitas histórias para contar.